O século 21 inicia com grandes perspectivas para a humanidade, mas com desafios da mesma proporção. Os avanços da tecnologia, da ciência e do conhecimento têm proporcionado melhorias na expectativa e na qualidade de vida, conforto, segurança e bem-estar. Por outro lado, as consequências do crescimento populacional e econômico vêm deixando sinais de rompimento do equilíbrio ambiental e social.

Por trás de todos os benefícios da criação humana e também de suas restrições está um elemento fundamental: a energia. Ao longo da história o uso da energia evoluiu da força do próprio corpo. Mas o conceito de energia não se restringe às suas fontes, como petróleo, carvão ou eletricidade, pois tudo o que se utiliza no dia-a-dia, alimentos, construções, roupas, automóveis, representa consumo de energia, seja no processo de fabricação ou no seu uso.

Para disponibilizar tais produtos à sociedade, o desenvolvimento da infraestrutura energética do Brasil e do mundo caminhou par e passo ao crescimento econômico, dando-lhe o necessário suporte. Criou-se uma infraestrutura de geração, transmissão e distribuição de energia centralizada e sob o controle de poucas grandes empresas. Esta infraestrutura, entretanto, representa impacto ambiental, perdas nos sistemas de transmissão a longas distâncias e concentração de renda. Mas apesar de todo investimento, muita gente ainda não tem acesso à energia, sendo a universalização um dos objetivos do milênio da ONU.

Tal desafio vai muito além de entregar energia de graça para quem não tem condições econômicas. Exige repensar a forma como se gera e utiliza energia no cotidiano. As soluções para a sustentabilidade sugeridas pelos mais importantes pensadores da atualidade apontam para a descentralização da atividade produtiva. Ao invés de grandes negócios centralizados e isolados, pequenas cadeias produtivas que agregam valor umas às outras e que estejam vinculadas à realidade local onde se instalam. Nesta configuração de negócios colaborativos, os desperdícios energéticos são minimizados, pois os resíduos de um negócio são insumos para outros. Faz parte deste contexto a energia gerada próxima do consumo, como por exemplo, a solar ou de dejetos animais, onde resíduos que causam impactos ambientais transformam-se em energia. Chamada de geração distribuída de energia, complementar ao sistema principal, esta forma de produção contribui para a eficiência de todo o sistema energético do país e do mundo, pois diminui a demanda dos sistemas centralizados e, consequentemente, a pressão por grandes obras de engenharia.

A esta altura o leitor deve estar se perguntando “E o Keko?”. Enquanto empresário, Keko considera a possibilidade de gerar a própria energia que sustenta o seu negócio. É o caso, por exemplo, de uma cervejaria na Austrália que transforma os resíduos do processo de produção em energia e água aquecida, reutilizadas no processo, ou da atividade agropecuária que pode gerar energia do bagaço de cana-de-açúcar. Enquanto cidadão comum, Keko, entre outras coisas, usa álcool combustível ao invés de gasolina e reduz o consumo de energia em sua casa. Ele opta pela compra de lâmpadas e aparelhos elétricos mais eficientes que recebem o selo do Procel, pela instalação de aquecimento solar ou de células fotovoltaicas, pelo uso de sensores de presença que apagam as lâmpadas automaticamente quando não há pessoas no recinto. São exemplos viáveis, técnica e economicamente, com resultados significativos no conjunto e que dependem somente da decisão responsável de cada cidadão.