A questão do preço é uma das mais lembradas quando se fala em orgânicos. Não há como negar que os produtos orgânicos são sempre um pouco mais caros do que o normal.

Mas esses reais a mais têm uma explicação. O modo como o alimento é cultivado, os cuidados com os animais, os produtos utilizados além da preocupação com o meio ambiente.

Produtora Célia Ripka em feira de orgânicos em Curitiba (Foto: Carolina Gomes)

Como exemplo podemos citar os ovos orgânicos. No varejo eles são até três vezes mais caros do que o normal. Segundo a pesquisadora Isis Mariana Pasian, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo, pode-se dizer que se o convencional custa x, o caipira custará 2x e o orgânico 3x.

“O problema é que a grande maioria dos consumidores não sabe as diferenças entre os sistemas de produção e por isso não compreende porque o ovo orgânico é três vezes mais caro que o convencional. Enquanto ele não conhecer as diferenças e valorizá-las, ele não pagará mais por esse produto”, reconhece.

Isis acredita que a maior barreira enfrentada pelos produtores de orgânicos é a falta de informação do consumidor.

“As pessoas estão muito distantes do processo produtivo dos alimentos de origem animal. Ovos, leite e carne vêm de animais e muitas vezes o consumidor parece esquecer disso. Um dos grandes diferenciais da criação orgânica é a extrema importância que é dada ao bem-estar dos animais”, garante Isis.

Durante o processo tradicional de criação de galinhas para a produção de ovos, por exemplo, os animais ficam confinados em gaiolas suspensas, tem um espaço muito pequeno para se movimentar e os criadores utilizam antibióticos, corantes e promotoresd e crescimento.

Já em chácares produtoras de alimentos orgânicos, como é o caso da produtora paranaense Célia Ripka, as aves são criadas no piso, a ração deve ser comprovadamente orgânica, no máximo seis animais por metro quadrado na área coberta e seis metros quadrados para cada ave na área de pastagem.

“As aves só entram no galpão para comer e dormir”, conta Célia.