Há mais de 130 anos, um senhor de nome Thomas Alva Edison, nascido em um vilarejo do estado norte-americano de Ohio, mudaria para sempre a vida das pessoas. Ele foi um verdadeiro gênio, que patenteou mais de mil invenções durante sua vida e que após muitas tentativas chegou ao encontro da lâmpada elétrica. Não foi ele o criador, mas foi o primeiro a fazê-la permanecer acesa por bastante tempo, naquela época, por monstruosas 40 horas. Era um filamento de algodão parcialmente carbonizado dentro de um bulbo de vidro com vácuo, que se aquecia com a passagem de corrente elétrica até ficar incandescente. Nascia então a primeira lâmpada incandescente.

Mal sabia Thomas Edison que sua experiência se tornaria um problema no início do século 21. Com a constante preocupação em relação ao meio ambiente, as lâmpadas incandescentes se transformaram em vilãs, principalmente pelo alto índice de consumo de energia e pelos materiais que é produzida, muito danosos ao meio ambiente. Mas por que então as pessoas ainda usam essas lâmpadas?

“O principal motivo da escolha de uma lâmpada incandescente na hora da compra ainda é o baixo custo que esse produto tem, especialmente quando falamos em consumidores com baixo poder aquisitivo”, conta Cláudia Capello Antonelli, gerente de produto da Osram, fabricante especializada em iluminação. Além do custo imediato, há outros fatores que as pessoas levam em consideração antes de comprar: a qualidade e a tonalidade fornecidas. “Há ainda quem prefira a tonalidade de cor amarelada oferecida pelas incandescentes, que torna o ambiente mais aconchegante. Mas isso já pode ser contornado com as tecnologias disponíveis no mercado atualmente”, completa Cláudia.

A principal substituta para as lâmpadas incandescentes são as fluorescentes compactas. Em circulação desde a década de 1940, estas são mais eficientes e consomem muito menos energia. Mesmo com o custo mais alto na hora da compra, em média, economiza-se até 80% em relação às tradicionais incandescentes e apresenta durabilidade seis vezes maior. Com a simples troca de lâmpadas, a redução do consumo do brasileiro em horário de pico poderia chegar a 37%, segundo dados da Associação Brasileira dos Importadores de produtos de Iluminação (Abilumi). Apesar disso, há grande resistência por partes das pessoas. “Os consumidores têm sido relutantes em abandonar o uso de lâmpadas incandescentes ineficientes porque gostam da qualidade da luz que emitem”, diz Maria Arce, gerente de produtos led da GE Iluminação na América Latina.

Para onde vão as lâmpadas?
Se as fluorescentes compactas são mais eficientes e econômicas que as incandescentes, o problema do descarte é muito semelhante. No Brasil, são consumidas cerca de 100 milhões de lâmpadas fluorescentes por ano. Desse total, cerca de 94% são descartadas em aterros sanitários, sem nenhum tratamento. Isso contamina o solo e a água com metais pesados, principalmente o mercúrio.

A solução é melhorar o descarte e buscar locais adequados para isso. “No caso das lâmpadas, muitos itens podem ser aproveitados novamente depois de processos de reciclagem. Dessa maneira, o mais indicado é que as pessoas busquem orientação sobre pontos em que se pode fazer o descarte de forma responsável”, aconselha Cláudia.

Led: a nova geração
Se as lâmpadas fluorescentes são as substitutas naturais das incandescentes, ambas naturalmente serão sucedidas das lâmpadas de led. Estas têm como principais vantagens a longa durabilidade e elevada redução no consumo de energia, que pode chegar até 90%. Além disso, são mais ecológicas, já que não possuem metais pesados na composição.

Quanto a menos?

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Dependendo do modelo, a vida útil pode chegar até 25 mil horas de funcionamento. “Esse foco é capaz de iluminar a mesa do quarto do seu filho, do seu nascimento até a formatura do segundo grau”, brinca Maria, evidenciando a durabilidade das lâmpadas de led. E isso contribui indiretamente com o planeta. Por proporcionar uma maior economia de energia, contribui com a preservação do meio ambiente e, além isso, como os led possuem uma grande vida útil, sua substituição é mais demorada, o que gera uma quantidade menor de resíduos a serem descartados.

Mesmo assim, é muito difícil encontrar pessoas que tenham lâmpadas led em casa. O principal motivo para isso é o investimento inicial, que assusta o consumidor acostumado com produtos mais baratos. É o caso da ecodesigner Bernardete Brandão, que quer fazer a troca, mas ainda não conseguiu por causa do preço. “É realmente caro. Como tenho mais de 15 em casa, a ideia é trocar aos poucos, mas ainda não consegui colocar em prática. Falta dinheiro”, conta. Ela sabe que é importante para o meio ambiente e para a conta de luz, mas além do preço, é difícil encontrar. “Ainda não se compra em supermercados esse item. É uma boa dica”, sugere Bernardete.

Conscientização é chave
Com o crescimento da demanda, é provável que o preço caia com o tempo. “Como qualquer outro produto com alta tecnologia agregada, as lâmpadas de led ainda têm um preço elevado, o que deve diminuir consideravelmente nos próximos anos”, acredita Cláudia. Aos poucos, a oferta de modelos deve se diversificar e com isso crescer o consumo desses produtos. “Com a crescente procura do consumidor por produtos eficientes, seu preço tende a cair e a oferta de modelos a diversificar”, opina Ricardo Cricci, diretor comercial da Golden.

Não importa se é incandescente, fluorescente ou led, o que deve ser feito é buscar hábitos que de fato economizem energia. “Muitas pessoas não sabem que o simples toque no interruptor para acender uma lâmpada está intimamente ligado à utilização de recursos naturais para a geração de eletricidade”, diz Cláudia. Para que cheguemos a esse nível de consciência, é preciso que haja uma mudança de hábito ligada à formação de opinião sobre o tema. Depois disso, é preciso fazer com que um número maior de pessoas opte por investir em produtos inteligentes, no caso, lâmpadas mais eficientes.

Outro fator importante e fundamental é cuidar da lâmpada, para que sua vida útil seja mais longa, além de verificar a necessidade de iluminação para cada ambiente. “Essa escolha é feita de acordo com a potência e o número de lâmpadas que serão utilizadas no ambiente. Vale ressaltar, ainda, que a variação da tensão de fornecimento de energia elétrica em nossas casas é um dos principais motivos que leva à queima de uma lâmpada. Caso seja frequente a queima de lâmpadas, é indicado que a pessoa procure um especialista e faça a revisão do sistema elétrico”, sugere Cláudia.

Há ainda outro tipo de perda de energia que pouca gente conhece e que acontece quando um interruptor é mantido ligado apesar da lâmpada, no caso fluorescente, estar queimada. “Todas as lâmpadas fluorescentes têm um pequeno aparelho chamado reator, que não para de funcionar mesmo quando a lâmpada está queimada, acarretando um desperdício de 20 a 25%, pois a energia continua passando pela lâmpada. Mas se o interruptor estiver desligado, não há consumo”, revela Alexandre Cricci, presidente da Abilumi.

Além das lâmpadas
Não são só as lâmpadas que pesam na conta de luz. Outros fatores relacionados à iluminação podem e devem ser levados em conta para economizar energia.
Pinte os ambientes com cores claras, principalmente o teto, já que reflete melhor a luz.

- Em áreas externas, use fotocélula para acionar as lâmpadas. Assim, evita-se o acendimento quando a luz solar é suficiente.

- Use dimmers, que controlam a intensidade de luz emitida pelas lâmpadas.

- Em áreas coletivas, no caso de prédios, use interruptores temporizados (minuteiras) ou sensores de presença.