Várias fábricas e lojas já se preocupam em ter peças com tecidos sustentáveis, desde camisetas feitas com garrafas PET recicladas (como as usadas na Copa 2010 pela seleção brasileira) até tecidos inovadores, como fibras de bambu ou o Ecosimple.

O Ecosimple pode ser usado para móveis e para roupas. (Foto: Divulgação)

O Ecosimple surge da reciclagem de retalhos de tecido. Para isso, os retalhos são recolhidos nas indústrias e levados para cooperativas, onde são separados por cor. Depois disso, passam por vários processos, todos livres de tratamentos químicos, para serem fiados novamente e formar outro tecido, novo.

Claudio Rocha, diretor comercial da SimpleTex, fabricante do Ecosimple, fala que uma das maiores dificuldades da empresa foi o grande investimento que tiveram que fazer em tecnologia, mão de obra e equipamentos.

Além disso, ressalta a qualidade do material produzido, já usado inclusive pelo estilista Alexandre Herchcovitch.

“O grande diferencial de um produto sustentável está no aspecto social, através dos nossos produtos procuramos fomentar a devida valorização da preservação da biodiversidade ambiental, social e cultural”, comenta Claudio.

A Ekosfera possuí diversas opções de camisetas em algodão orgânico. (Foto: Divulgação)

O algodão orgânico é outro material utilizado. A camiseteria Ekosfera é um exemplo. A marca produz camisetas de algodão orgânico e de PET reciclada.

“Caracterizamos nosso projeto como inovador, pois quando a Ekosfera nasceu não havia no setor de comércio eletrônico uma proposta igual a nossa, e todo projeto inovador tem um caráter experimental e grandes desafios a serem superados”, comentando Graziela Fernanders, uma das idealizadoras da marca.

Para ela, uma das maiores dificuldades de uma marca sustentável é a aceitação do público, já que os produtos costumam ser um pouco mais caros que os feitos de materiais convencionais. A diferença de preço ocorre principalmente pela pouca oferta e alto preço de matérias-primas ecológicas e certificadas, além da falta de incentivo fiscal do governo.

Outro cuidado da marca é garantir a procedência dos matériais e o lado social dos parceiros.

“Na escolha dos nossos fornecedores, além da certificação já exigida, procuramos também aliar o fator social a esta parceria, ou seja, procuramos fornecedores que tenham bons projetos sociais”, comenta Graziela.

A Raiz da Terra aproveita vários materiais na produção de tecidos, como fibra de bambu. (Foto: Divulgação)

Já a marca Raiz da Terra utiliza tecidos produzidos a partir de matérias primas naturais, orgânicas, reutilizáveis e biodegradáveis. A marca é uma das pioneiras no uso do Tecno Bambu, tecidos de fibras de bambu com funções antibacterianas e desodorizantes. Além disso, é 100% biodegradável.

Novamente, a dificuldade para uma maior utilização do tecido é o preço final do produto.

“O produto final acaba ficando pouco competitivo em relação a concorrência que utiliza geralmente malhas de viscose, que custa a metade do preço”, fala Cassius Silva, da Nature Wear.

Além de toda a vantagem sustentável, o material também proporciona vários benefícios para o usuário, como o fator de proteção solar, o agente antibacteriano e o termodinamismo.