A indústria da construção não para de crescer e com isso é cada vez mais raro encontrarmos casas de madeira nas grandes cidades. O que imperava nas paisagens urbanas, hoje é deixado de lado.

Sofá produzido com madeira de demolilção (Foto: Mundillo)

Sofá produzido com madeira de demolilção (Foto: Mundillo)

Mas junto com esse processo, surge outro: a reutilização de madeira de demolição. As casas antigas dão espaço a novas construções e permanecem vivas quando recebem uma nova função no interior de residências, em mesas, cadeiras, armários, baús, portas, pisos, e assim por diante.

Se a sustentabilidade busca o cuidado com os recursos naturais, fica claro que a madeira de demolição é ecologicamente correta. Além disso, o aspecto desse material – normalmente com aparência envelhecida – é objeto de desejo de muitas pessoas, que buscam um ambiente mais aconchegante e mesmo rústico.

As madeiras que são comercializadas com mais frequência são a peroba, jacarandá, ipê, canela, pinho e riga. Todas essas passam por um processo de estufa natural, que aumenta a resistência e garante uma versatilidade única.

Por se tratarem muitas vezes de madeiras centenárias, os objetos criados vêm acompanhados de uma história, como conta Carla Nhani, proprietária da loja Mundillo, que produz peças a partir de madeira de demolição.

“Depois do desmanche das casas, a madeira é reutilizada e traz algo novo e original para a casa do cliente. Com isso, tem uma história acompanhada da qualidade do material”.

Para chegar aos novos donos, a madeira passa por diversos processos, que são específicos desse tipo de material. Basicamente, as casas são desmanchadas e os antigos donos vendem a madeira, que vai para a marcenaria, onde é tratada e enviada para a produção.

“Quando chega na marcenaria, é tratada e tirada o cupim, se tiver. Depois é lixada e feito um estudo em cima dela, para que ver o que pode ser feito”.

Por serem madeiras de grande qualidade, é esperado que o preço delas seja mais alto. Isso se deve principalmente ao fato do cuidado extra que o material exige.

Peça de decoração com madeira de demolição (Foto: Mundillo)

Peça de decoração com madeira de demolição (Foto: Mundillo)

“A diferença do preço fica principalmente pela mão-de-obra. Uma pessoa que trabalha com MDF não tem máquina para cortar madeira grossa e maciça. Para ter uma ideia, dá para fazer uma mesa de MDF em seis horas. Mas a mesma mesa com madeira de demolição, no mínimo 48 horas. Se tiver um estudo e a confecção de um móvel exclusivo, pode levar de 45 a 60 dias”, explica Carla.

Além disso, a procura por esse material cresceu bastante e com o passar do tempo, há menos casas para serem demolidas. Estima-se que há cinco anos, pagava-se 60% a menos que hoje.

Mas quem busca móveis produzidos com madeira de demolição?

“Um é o cliente que acha bonito e quer entrar na moda. E tem o outro, que tem consciência que está adquirindo uma madeira com história e preservando a natureza. Essa consciência vem mais do público jovem. Uma senhora tem um pouco mais de dificuldade e encara a madeira de demolição como madeira velha”, conta.

Mesinha produzida com madeira de demolição (Foto: Mundillo)

Mesinha produzida com madeira de demolição (Foto: Mundillo)