O Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) tem como objetivo refletir um retorno financeiro para os investidores de ações de empresas com reconhecido comprometimento com a responsabilidade social e a sustentabilidade empresarial. Assim, quer promover as práticas sustentáveis no meio empresarial brasileiro.

O ISE foi criado em 2005 com metodologia criada pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas.

As empresas que participam da lista estão entre as que emitem as 200 ações mais líquidas (mais negociadas). Elas são avaliadas de acordo com as seguintes características: geral, natureza do produto, econômico-financeira, social, ambiental, governança corporativa e mudanças climáticas (adicionada para as carteiras válidas para 2011).

A carteira de 2011 (válida de 3 de janeiro a 29 de dezembro) reúne 47 ações de 38 companhias. Juntas, somam R$ 1,17 trilhão em valor no mercado, divididos em três setores: serviços educacionais, holding diversificadas e mineração. O máximo de participantes é 40: assim, as empresas se empenham mais para permanecerem no índice.

Quem fala mais sobre o ISE é a Sonia Bruck, gerente de sustentabilidade da BM&FBOVESPA.

Atitude Sustentável: Qual foi a reação das empresas com o Índice de Sustentabilidade Empresarial na Bovespa?
Sonia Bruck: Tudo isso é um processo de engajamento das empresas no tema da sustentabilidade. O ISE teve um papel importante nisso. As empresas responderam o questionário, algumas até já estavam engajadas com a sustentabilidade. Acho que foi uma sinalização importante o mercado de capitais prestar atenção nisso. Várias empresas se engajaram no momento, outras foram mais céticas e mudaram com o tempo. Outras ainda não percebem a sustentabilidade.

AS: Essas informações devem influenciar a escolha dos consumidores no mercado?
SB: Eu acho que sim, mas o importante falar do ISE não é que ele eleva as empresas mais sustentáveis, mas identifica as empresas que tem a sustentabilidade nas suas estratégias. É uma forma dos consumidores perceberem que são empresas que trabalham esse tema na sua organização. Mas a escolha de um produto envolve uma série de requisitos em consideração, coisas além do ISE. Mas é sim um sinal para a sociedade de que as empresas incorporam a sustentabilidade. É importante ressaltar que o impacto sempre vai existir, todos nós temos um impacto, mas o que é possível ter práticas de sustentabilidade e diminuir os riscos.

AS: Como é esse tipo de ação em outros países?
SB: O primeiro índice sustentável foi lançado em 1999, o Dow Jones Sustainability Index – DJSI. Em seguida, a Bolsa de Londres adotou um modelo semelhante (2001). Em 2003, o primeiro país emergente lançou o Índice: Bolsa de Valores de Johannesburg (JSE). O brasileiro foi lançado em 2005. Esses quatro foram os pioneiros desse movimento.

Outros países já estão lançando, como México e Turquia. É um movimento crescente de investidores preocupados com sustentabilidade, os Social Responsable Investment, que são fundos que investem em ações de empresas preocupadas com esse tema. Na Europa e EUA crescem muito, principalmente na Europa. No Brasil estamos começando, já existe um movimento, já são nove fundos.

AS: Existe uma preferência entre sustentabilidade social ou ambiental?
SB: O peso é igual entre a sustentabilidade ambiental e social. Trabalhamos com várias dimensões: a social, ambiental, natureza do produto, econômico-financeira, governança corporativa e mudanças climáticas. Todas as dimensões têm pesos iguais.

AS: Como a pessoa pode investir nessas empresas?
SB: Existem alguns fundos passivos que investem no Índice. Além disso, o Itaú está organizando o ETF, que é uma maneira de investir no próprio índice, não em empresas específicas. Este produto atrelado ao ISE é um boa possibilidade de investimento para um indivíduo.

AS: Vocês tem alguma meta de melhora da sustentabilidade?
SB: Nós promovemos no ano passado diálogos com steak holders para ver os erros e acertos do Índice, e a ideia é engajar o maior número de empresas da sustentabilidade. Então uma ação que estamos começando é o Programa Em boa companhia, de sustentabilidade nas empresas. Ele será lançado no dia 14 de abril, e, visitando as empresas e explicando sobre o Índice e outras ações de sustentabilidade, pretende engajar ainda mais as empresas.

As empresas que atualmente fazem parte do ISE são: Anhanguera, Brasil, Bradesco, BicBanco, BRF Foods, Braskem, Cesp, Cemig, Coelce, Cpfl Energia, Copel, Copasa, Duratex, Eletrobras, Eletropaulo, Embraer, Energias Br, Even, Fibria, Aes Tiete, Gerdau, Gerdau Met, Itaú SA, Itaú Unibanco, Light S/A, Natura, Redecard, INDS Romi, Santander Br, Sabesp, Sul America, Suzano Papel, Tractebel, Tim, Telemar, Ultrapar, Vale, Vivo.

Mais informações no site da BM&F Bovespa.