Com o crescimento da população e a necessidade de expansão, a questão da desapropriação territorial traz a sustentabilidade como um desafio que se mantém no tripé: econômico, social e ambiental. Durante os processos de desapropriação é muito comum que os moradores questionem a credibilidade do empreendedor e a viabilidade dos projetos.

Segundo Lilian Reis, relações públicas e associada da Communità Comunicação Socioambiental, há dois pontos a serem abordados na parte social da sustentabilidade. “Deve-se pensar se o empreendimento, seja ele privado ou público, é de interesse coletivo. Também se traz um benefício à população, se é economicamente viável para o empreendedor, se a questão ambiental será compensada e mitigada, dentro do que exigem os órgãos ambientais. Mas o que percebemos é que a preocupação social juntos às comunidades afetadas é minimizada”, conta Lilian.

Algumas compensações ambientais, como a exigência de alguns órgãos de dobrar o plantio de árvores que serão removidas poderiam ser aplicadas em relação às famílias desapropriadas. “Por que não se exigir que as famílias removidas recebam o dobro pelo que valem suas casas? Por isso, as desapropriações hoje não atendem ao conceito de sustentabilidade”, diz ao comentar que a questão social ainda está abaixo das outras preocupações.

Para Lilian, as desapropriações poderiam ser sustentáveis se houvesse um planejamento prévio por parte do empreendedor, publico ou privado, ainda na fase inicial de planejamento e com previsão orçamentária. Com a elaboração de um plano de comunicação bem elaborado, que previsse a informação às famílias como prioridade. “É neste momento que são elaborados os relatórios de impacto ambiental, que deveriam ser impactos socioambientais”, explica.