A sustentabilidade no setor imobiliário residencial é tema do Caderno de Condutas da Secovi-SP e do CBCS (Conselho Brasileiro de Construção Sustentável), que traz iniciativas do tema no viés econômico, social e ambiental.

As orientações são simples e diretas, divididas nas fases do ciclo de vida de um empreendimento: “Condutas da empresa e do condomínio”, “Condutas na análise urbana” e “Condutas no empreendimento”. Confira:
(Faça o download do “Condutas de Sustentabilidade no Setor Imobiliário Residencial”)

Condutas da Empresa e do Condomínio
Trata de temas relacionados à legalidade da pessoa jurídica, valores éticos, atitude da empresa, relação e comunicação com as demais partes, em especial funcionários, colaboradores, fornecedores e consumidores.

1. Promover práticas éticas interna e externamente: carta de princípios; política de respeito aos direitos humanos; política anticorrupção; política de comércio justo, compra e seleção de produtos e serviços; justa concorrência; auditoria; prestação de contas; entre outras.
2. Buscar e disseminar informações ambientais, sociais e econômicas, comunicando e dialogando com transparência com quaisquer partes.
3. Oferecer benefícios aos funcionários, contribuindo para a saúde, segurança e condições de trabalho, afora os benefícios concedidos pelas legislações trabalhistas e de caráter social.
4. Contratar empresas e fornecedores capacitados, com vínculo legal e formal de seus funcionários, e que ofereçam produtos e serviços legalizados e em conformidade com padrões e normas.
5. Investir na capacitação e treinamento de funcionários em todos os níveis de escolaridade e estimular que o mesmo seja feito pelos fornecedores.
6. Promover a qualidade do espaço interno de trabalho: ergonomia, iluminação, acústica, conforto térmico e combate a agentes nocivos.
7. Promover um ambiente de trabalho colaborativo.
8. Valorizar a opinião do consumidor.
9. Promover iniciativas de responsabilidade socioambiental, priorizando ações que estabeleçam a comunicação e a relação entre empresa e comunidade local.

Condutas na Análise Urbana
Agrupa critérios básicos de sustentabilidade para seleção da área para um empreendimento. Aborda a avaliação de infraestrutura existente, instrumentos urbanos e ambientais.

1. Analisar as características do empreendimento com relação às leis e diretrizes urbanísticas locais, afora o atendimento ao Estatuto da Cidade, planos diretores e demais instrumentos de planejamento urbano, em todas as esferas.
2. Analisar o impacto da implantação do empreendimento com relação às características ambientais da área, afora o atendimento às legislações ambientais de âmbito federal, estadual e municipal.
3. Identificar a relevância histórica, ecológica e cultural da área e do entorno do empreendimento, afora o atendimento a legislações específicas.
4. Identificar a existência de elementos internos ou no entorno que gerem restrições na área do empreendimento, como por exemplo: rodovia, ferrovia; linha de gasoduto, oleoduto ou de alta tensão; áreas de servidão e non aedificandi correspondentes; entre outros.
5. Analisar a composição química do solo e avaliar a presença de níveis de contaminação, embasando eventual decisão de descontaminação para utilização da área.
6. Dar preferência a áreas com infraestrutura urbana existente: sistema viário com mobilidade urbana diversificada (transporte público e coletivo, ciclovias, passeios urbanos, dentre outros), saneamento, energia, equipamentos urbanos e serviços, ou com previsão de expansão da oferta por políticas públicas e concessionárias.
7. Incorporar a vegetação consolidada existente ao empreendimento, evitando sua supressão.

Condutas no empreendimento
Esse conjunto traz as condutas relacionadas à área do empreendimento e seu desenvolvimento em aspectos espaciais, construtivos, estruturais e de sistemas prediais e condominiais.

1. Conceber produto imobiliário que se integre à paisagem urbana existente e contemple conjuntamente características espaciais, funcionais e estéticas, nos elementos construídos e naturais.
2. Conservar características físicas e topográficas da área, adequando a estas o produto imobiliário, minimizando movimentação de terra e descaracterização do relevo, devendo a composição química do solo apresentar níveis adequados à saúde dos seres vivos.
3. Conservar as características físicas e químicas de nascentes, cursos d’água, lençol freático, matas ciliares e Áreas de Preservação Permanente (APP), mantendo sua função ambiental: profundidade e perfil do leito do rio e das margens, vegetação do entorno, qualidade das águas, entre outros.
4. Preservar e incrementar áreas verdes e permeáveis na área do empreendimento, de acordo com condições geológicas e hidrológicas, dando preferência às espécies nativas, e promover sua integração com vegetação do entorno, afora o atendimento às legislações.
5. Gerir escoamento superficial de água pluvial, utilizando áreas permeáveis, sistemas de retenção ou infiltração, com base no volume máximo de chuva (índices pluviométricos), condições geológicas e hidrológicas.
6. Desenvolver empreendimentos que integrem os sistemas viários privados ao público e, se necessário, como, por exemplo, em loteamentos, realizar sistema viário que considere soluções de menor impacto em execução e uso, observando circulação de pessoas e cargas: adequação ao terreno, segurança, iluminação e sinalização.
7. Adotar múltiplos sistemas de circulação internos ao empreendimento, priorizando ciclovias e vias dequadas para pedestres, com espaços e equipamentos acessíveis a todos.
8. Promover a acessibilidade universal em unidades habitacionais e nos espaços construídos e abertos, oferecendo qualidade e conforto a todos os usuários, por meio da compatibilização de fatores como dimensionamento, materialidade, sinalização e demais especificações técnicas, afora o atendimento às legislações.
9. Adotar a solução técnica para infraestrutura e sistemas construtivos mais adequada ao escopo do projeto: considerar o ciclo de vida do empreendimento e os parâmetros de desempenho, qualidade, impactos ambientais, saúde dos usuários, vida útil, reciclabilidade e manutenabilidade.
10. Priorizar, na implantação e na definição da envoltória (fachada e cobertura) das edificações, a adoção de técnicas passivas que proporcionem conforto térmico, acústico e lumínico, como orientação solar, distribuição espacial, ventilação cruzada, iluminação natural, sombreamento, materialidade, entre outros.
11. Adotar técnicas ativas de climatização e iluminação, utilizando equipamentos e aparelhos com baixo consumo de energia, quando os sistemas passivos não proporcionarem conforto e funcionalidade aos usuários.
12. Utilizar infraestrutura e sistemas prediais com fonte de energia renovável, limpa e de baixo impacto ambiental e social, dentre as opções disponíveis no mercado, com tecnologia e qualidade comprovada, sendo acessíveis economicamente.
13. Adotar infraestrutura e sistema predial hidráulico que considerem parâmetros adequados de vazão, pressão, distribuição, dimensionamento e especificações técnicas, visando permitir o gerenciamento do consumo em observância à funcionalidade, manutenabilidade e durabilidade do sistema.
14. Incorporar sistema de aproveitamento de águas pluviais para uso não potável, contratando, na operação e manutenção, profissional (devidamente credenciado no organismo competente) para responsabilizar-se pela gestão do uso da água no edifício.
15. Utilizar sistema predial de reuso de água para uso não potável, contratando, na operação e manutenção, profissional (devidamente credenciado no organismo competente) para responsabilizar-se pela gestão do uso da água no edifício.
16. Prever sistema integrado de transmissão e comunicação de fluxo de dados: TV a cabo, internet, telefonia, automação predial, segurança, entre outros.
17. Utilizar coordenação modular no projeto e na seleção de produtos.
18. Identificar fornecedor que, dentro do custo competitivo, apresente menor impacto ambiental, com formalidade, legalidade, conformidade e responsabilidade socioempresarial.
19. Selecionar materiais com processos produtivos locais ou regionais ao empreendimento, ou materiais que empreguem em sua distribuição meios de transporte com baixo impacto ambiental.
20. Criar condições de espaço, local e equipamentos específicos para separação e armazenagem das diversas classes de resíduos na fase de obra e no uso do empreendimento.
21. Reduzir perdas, reutilizar e reciclar resíduos gerados nas fases de execução da obra e uso do empreendimento, e praticar a destinação de forma correta e monitorada, priorizando a logística reversa quando disponível para o produto.
22. Evitar geração e dispersão de poluentes atmosféricos na execução da obra e no uso do empreendimento.
23. Fornecer aos moradores manual informativo sobre o empreendimento, abordando fases de uso, operação e manutenção.
24. Implantar a gestão do condomínio, considerando aspectos legais, ambientais, comportamentais, uso e manutenção.