Entre os dias 28 de junho e 14 de julho acontece na Cinemateca do MAM, no Rio de Janeiro, a segunda edição do Festival Internacional de Filmes sobre Energia Nuclear. Ao total, serão exibidos 48 filmes, com a presença de diretores e entrega do Oscar Amarelo, prêmio máximo do festival.

Cena do filme 08:15 de 1945 (imagem: divulgação).

A iniciativa é da Ong Arquivo Amarelo, dirigida por Norbert G. Suchanek e Márcia Gomes. “Buscamos o diálogo, um debate aberto e a oportunidade de ter o máximo possível de informação disponível sobre a energia nuclear, que é uma realidade no mundo”, diz Márcia.

Nobert afirma ainda que, “na verdade, o tema é muito maior do que a energia nuclear em si; a radiotividade é a grande questão. É importante saber que, ainda que todas as usinas nucleares fossem fechadas hoje, seriam necessários técnicos qualificados e conhecimento sobre os riscos dos resíduos radioativos durante alguns milhares de anos”.

Programação

(A programação completa está disponível no site do evento).

O festival será realizado exclusivamente na Cinemateca do MAM, um dos apoiadores do evento. Os ingressos custam R$ 5 (inteira) e R$ 2 (meia entrada para estudantes, idosos e portadores de necessidades especiais). Como fruto da parceria com o MAM, quem compra ingresso para as exposições do museu tem gratuidade nas sessões da mostra.
Na abertura oficial, dia 29, um curta experimental do diretor Peter Greenaway – Bombas atômicas no Planeta Terra (Países Baixos/Reino Unido, 2011) – mostra, em 12 minutos, todas as 2201 explosões atômicas feitas pelas cinco potências nucleares mundiais entre 1945 e 1989, com data e nome dos responsáveis. Em seguida vem o longa Abrigo nuclear, ficção científica do brasileiro Roberto Pires, morto em 2001 em consequência de um câncer, possivelmente por contaminação durante a produção de Césio 137 – O pesadelo de Goiânia (filme que realizou sobre o primeiro acidente nuclear ocorrido no Brasil).

Imagem do filme Lobo Radioativo (divulgação).

O público poderá ver ainda a exposição fotográfica Atrás da Cortina Atômica (Behind the Atom Curtain), com fotografias realizadas pelo Grupo Internacional de Fotógrafos Atômicos (The Atomic Photographers Guild). Está confirmada a presença do fundador da instituição, o fotógrafo americano Robert Del Tredici. A exposição acontece no hall da Cinemateca do MAM durante todo o período do festival.
Outro destaque do evento são os debates com os diretores. Dentre as presenças confirmadas está a de Katherine Aigner, diretora do filme Confissões atômicas (Australian Atomic Confessions, Austrália/2005), que conta a história da explosão de 12 bombas atômicas no território australiano pela Grã-Bretanha. Aigner trabalhou durante 15 anos com os sábios indígenas da Austrália e foi curadora assistente do Museu Nacional da Austrália, além de ter trabalhado em Berlim e Roma. O debate com o público acontece dia 30/6, sábado, após a exibição do filme.

No dia 6 de julho, os diretores italianos Maurizio Torrealta, autor de A terceira bomba nuclear (Itália, 2008) e Flaviano Masella, de Quirra é uma lixeira radioativa (Itália, 2011), debatem seus filmes com o público após a sessão. Os documentários tratam, respectivamente, da investigação da “terceira bomba nuclear” e de casos de câncer entre pastores de ovelhas em Quirra, na Sardenha, área de treinamento da OTAN. No dia 7 é a vez do americano Nathan Meltz, diretor da animação Depois do dia seguinte (EUA, 2011), participar do debate com o público. O curta é alusivo ao célebre filme O dia seguinte, sobre o dia que se segue à guerra atômica.