A segunda edição do festival de cinema Filmambiente acontece no Rio de Janeiro entre os dias 31 de agosto e 6 de setembro. A mostra apresenta 75 filmes, entre ficções, documentários, longas, curtas e animações (vários premiados em festivais internacionais).

Alemanha, Argentina, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Espanha, Estados Unidos, França, Grécia, Holanda, Inglaterra, Itália, Japão, Polônia e Sérvia estão representados na mostra. Como na primeira edição, o festival premiará o melhor longa, o melhor curta e o melhor filme na opinião do júri popular. Todos os premiados receberão o Troféu Tainá. Um júri internacional, formado por Haroldo Mattos de Lemos (presidente do Instituto Brasil PNUMA), Peter Jay Brown (fotógrafo e cineasta) e Victor Fasano (ator e ambientalista) julgará os longas; o júri dos curtas será integrado por Bárbara Veiga (fotojornalista e ambientalista), Clara Dias (aluna da OiKabum) e Manuelle Rosa (do Cineclube Nós do Morro).

São quatro os espaços de exibição, que abrigarão as mostras competitivas e as mostras complementares (ver abaixo): o Espaço Itaú Cinema (antigo Arteplex), na Praia de Botafogo; o Instituto Moreira Salles, na Gávea; o Centro Cultural da Justiça Federal, no Centro; e o Museu do Meio Ambiente, no Jardim Botânico.

Cinema para refletir
Uma das novidades desse ano é a mostra virtual Geração ’92, em cartaz exclusivamente no site do festival. Essa mostra reúne uma seleção dos melhores filmes do concurso homônimo, promovido em 2012 pela Agência Europeia do Meio Ambiente. Os filmes foram realizados por jovens de diferentes países europeus que nasceram no ano de 1992, quando o Rio de Janeiro recebeu pela primeira vez a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável. Inspirados na Rio+20, apresentam sua visão sobre as questões ambientais.

Mostra competitiva
Dentre os doze longas em competição há vários filmes premiadíssimos, como Primavera silenciosa (Japão 2011), dirigido por Masako Sakata, que trata dos perigos do uso de pesticidas. O filme conquistou o Prêmio Visão da Terra e o Prêmio do Júri no festival de cinema feminino de Aichi. Outro campeão é Mbambu e as montanhas da lua, da diretora sérvia Natasha Muntean, laureado com o Toura D’Or (Alemanha) e com o Prêmio Presidente da República do festival Asolo Art, na Itália. Conta a história de uma menina ugandense de 16 anos que quer ser a primeira de sua família a completar a escola secundária.

Pó, o processo do amianto, que recebeu Menção Especial e o Prêmio Subti do Cinemambiente 2011, além de três Menções Especiais no FIDRA 2011, abre o jogo sobre os perigos do amianto – material usado para fabricar telhas e caixas d´água – para a saúde humana.
O filme acompanha os primeiros meses do julgamento dos maiores acionistas da Eternit na Itália, que terminou em fevereiro de 2012, com uma sentença pesada para os acusados.
O diretor Niccolò Bruna estará presente durante a exibição e conversará com a plateia.

Outros filmes também contarão com a presença de seus diretores, como o brasileiro Far West Amazônia, de Erwan Massiot e Carolina Venturelli, e Neve silenciosa, dirigido por Jan van den Berg, melhor Filme do festival canadense Planet in Focus, do Green Film Festival da Coreia e também do FIFER, na Suíça. Presente à mostra, o celebrado diretor argentino Fernando Solanas apresenta seu novo filme Terra sublevada.

Entre os brasileiros, há dois curtas premiados: A galinha que burlou o sistema, de Quico Meirelles, vencedor do Prêmio Especial do EnvironFilm da Eslováquia, e Tamanduá-bandeira, de Ricardo de Podestà, eleito o Melhor Filme Goiano do último FICA. Eu queria ir para o Equador, de David Bunting e alunos da escola primária Bricknell, que conquistou o grande prêmio global de Melhor filme do festival inglês Kids for Kids, e O japonês 661341, do diretor Isamu Huabayashi, Menção Especial nos festivais Berlinale, Sundance e Clérmont-Ferrand, todos em 2011, são outros curtas laureados.

Mostras complementares
A mostra Água – contaminação, escassez e soluções, que apresenta oito filmes, conta com o apoio da organização não governamental Secretariado Internacional da Água (SIE-ISW-SIA), criada em 1990 no contexto da década da água e do saneamento básico. Com sede em Montreal, Canadá, trabalha para facilitar a aplicação dos quatro princípios estipulados no documento de Montreal sobre água potável e saneamento básico: políticas públicas para o acesso à água e ao saneamento básico; ações concebidas para favorecer as populações atingidas; ações integradas ao contexto geral de desenvolvimento; educação e treinamento obrigatórios para as populações envolvidas em todos os programas voltados para a questão da água. Um exemplo é Carbono por água, de Carmen Eva Lopez e Evan Abramson (EUA/2011), que acompanha famílias do oeste do Quênia em seu desafio diário de conseguir água. Grande parte da água potável da região está contaminada; a madeira que a maioria queima para fervê-la está acelerando o desmatamento na área. Os diretores, Carmen Eva Lopez e Evan Abramson, que também apresentam A última ilha na mostra, estarão presentes às exibições. Outro destaque O povo da pluma, de Joel Heath, que liga a trajetória do povo Inuit das ilhas Belcher ao pato eider, que possui as penas mais quentes do mundo e há centenas de anos ajuda os habitantes do Ártico a sobreviverem ao rigoroso inverno da região.

A mostra Panorama reúne seis filmes que apresentam soluções e esperanças para um futuro mais verde e sustentável, como A Economia da Felicidade (EUA/2011), que propõe que nosso mundo global consuma bens locais e produzidos de forma sustentável.

Com cinco filmes, a mostra Originários é uma homenagem aos verdadeiros donos das terras invadidas pelo branco europeu. Filmes como Xingu, de Cao Hamburger (2012), uma visão da história dos irmãos Villas-Bôas; Paralelo 10, de Silvio DaRin (2012), que trata da saga de José Carlos Meirelles e sua difícil missão de proteger os nativos isolados ao norte do país; Hotxuá (2010), de Letícia Sabatella e Grinco Cardia, que conta a história da tribo Krahô, cujo Ministro do Sorriso (Hotxuá) tem a missão de dar força e manter a união da tribo, através da alegria, de abraços e de conversar; e No meio do rio (2011), de Jorge Bodanzky, resultado de uma expedição ao Alto Solimões, que ministrou oficinas de vídeo, circo e fotografia às comunidades ribeirinhas dentro de reservas ambientais, falam do Brasil original e das diferentes formas de conflito entre brancos e nativos. O quinto filme é Itchombi, de Gentille M. Assih (Togo/França 2009), que fala do ritual de circuncisão de mesmo nome, que reúne os membros da etnia Solla, no Togo.

A mostra Cotidiano de alto risco, com sete filmes, pretende chamar a atenção para os riscos à saúde humana e ao meio ambiente impostos por uma indústria que visa, sempre e cada vez mais, o lucro – e utiliza ferramentas de marketing para desviar a atenção de seus problemas. É o que se vê em A indústria da fita cor-de-rosa, que aborda a apropriação da causa do câncer de mama pela indústria de cosméticos. Maré negra: vozes do Golfo, de Joel Berlinger, fala da trágica explosão de um poço de petróleo nas águas do Golfo do México, em abril de 2010, e Memórias de uma paisagem perdida, de Yojyu Matsubayashi, que teve ótima repercussão no festival de Berlim, fala da contaminação dos alimentos na cidade de Minami Soma, que fica dentro da área de exclusão da usina nuclear de Fukushima.

Por fim, a mostra Família Eco traz produções recentes de estúdios norte-americanos, que tratam de forma leve questões relevantes, como a preservação da flora e da fauna e a vida nos oceanos. A mostra inclui também duas produções nacionais emblemáticas: Tainá 1, uma aventura na selva, e Tainá 2, a aventura continua.

O 2º FILMAMBIENTE é uma realização da Amado Arte & Produção, com patrocínio da Oi e da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Lei de Incentivo à Cultura (Lei do ICMS). A mostra conta também com o apoio cultural da Oi Futuro e com os seguintes apoios: Consulados da França, da Itália e da Suíça; Instituto Moreira Salles; Museu do Meio Ambiente; Jardim Botânico do Rio de Janeiro; Centro Cultural da Justiça Federal. A mostra Água tem o apoio da ONG Secretariado Internacional da Água (SIE-ISW-SIA) e a mostra Geração ’92, uma realização da Agência Europeia do Meio Ambiente (EEA), cedida ao festival.