Renata Esteves, dona da loja online de cosméticos sustentáveis Beleza Orgânica, postou recentemente em seu blog um texto sobre a insustentabilidade do consumo do óleo de argan, usado recentemente em muitos cosméticos. O óleo de argan, usado para a hidratação do cabelo, é extraído de uma árvore presente somente em uma reserva natural no Marrocos. Aparentemente, essa extração é feita de maneira consciente, mas que, a longo prazo, pode ser prejudicial para o meio ambiente.

Conversamos com a Renata para saber mais sobre o consumo do óleo de argan e os possíveis produtos que podem ser usados como substitutos. Confira:

Atitude Sustentável: Como você acha que o óleo passou a ser mais procurado recentemente?
Renata Esteves: Acho que foram alguns fatores que convergiram. Como eu disse no post, acho que as pessoas estão constantemente em busca pelo milagre para a pele e os cabelos. Calhou de uma empresa chamada Morrocan Oil (que acredito ter sido a primeira) resolveu lançar produtos com o óleo de argan, investindo pesado em marketing, nas feiras de cosméticos internacionais. E realmente o óleo tem diversas propriedades emolientes, antifúngicas e antioxidantes. Só que a quantidade efetiva do ativo nas fórmulas por aí é pequena, porque é caro e de produção limitada. Eles misturam o óleo com muitas outros óleos e substâncias químicas. Por um lado acho que eles acabaram trazendo o óleo vegetal de volta à moda, e como as fórmulas são mais modernas que os óleos puros vegetais, e o produto cair de forma leve e ser antifrizz eficaz, acabou ganhando fama de milagroso.

Atitude Sustentável: Quais podem ser alternativas nacionais e mais sustentáveis?
Renata Esteves: Minha teoria e intuição é que todo país tem seus óleos locais, que provavelmente combinam melhor com o tipo de pele da gente. O Brasil por sinal é o maior fornecedor de matéria prima para industria de cosméticos mundial. Temos tantos óleos e ativos maravilhosos aqui, como o cupuaçu, andiroba, castanha-do-pará, buriti e coco (o meu predileto), pra que importar óleo de argan?

Atitude Sustentável: Como o tipo de cabelo de cada pessoa pode influenciar a escolha por um óleo em específico?
Renata Esteves: Acho que cabelo e pele mudam muito conforme a estação, hormônios, idade, alimentação…recomendo sempre observar e ter alguns diferentes em casa para cada momento, porque podem cair melhor dependendo da situação. Assim como tenho hidratantes e produtos diferentes que alterno, também o mesmo para os óleos. Acho que quem tem frizz e cabelo cacheado tende a consumir mais produtos e tentar mais coisas, até porque a mídia promove um modelo de beleza em que o liso é que é bonito. Mas eu acho que um cabelo bem tratado não precisa de alisamento, e cai melhor no tipo físico de cada pessoa. Hoje em dia há uma cultura do imediatismo, e temos a expectativa de que um produto tem que resolver seu problema rápido e te deixar linda. Mas silicone e substâncias sintéticas afetam a estrutura capilar, e deixam o cabelo viciado. Outra coisa importante, é que a saúde do cabelo começa no couro cabeludo. O óleo é um tratamento, um finalizador, mas antes disso temos que ver como estamos nos alimentando, e com que produtos estamos lavando os cabelos…

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