A Amazônia é protagonista do livro “Selva! Amazônia Confidencial”, do brasileiro radicado no Uruguai J.C. de Toledo Hungaro. Lançado pela Editora Jaguatirica Digital, nas versões digital e impressa, o romance é um retrato pouco fictício da realidade local, sob a perspectiva do autor que na adolescência começou a vida como garimpeiro.

O escritor apresenta no livro muitas situações que presenciou e conversas que escutou, entre florestas e cafés parisienses, entre vitórias-régias e pubs londrinos. Nela, dois comandantes e uma advogada destemida na Suíça, revelam para o leitor as facetas desconhecidas de inúmeros países, onde golpes financeiros são disfarçados com o sotaque da realeza, e desbravam uma Amazônia insuspeita, na qual ecologia e preservação são os valores que menos importam.
Confira a entrevista com o autor:

A Amazônia é tema de diversos tipos de campanhas ou até mesmo de serviços e produtos que apoiam e defendem a sua preservação. O livro é um plano de fundo para a história ou também provoca a discussão sobre ecologia?
A Amazônia não é um plano de fundo do livro. A Amazônia é a protagonista do livro. As aventuras de um jovem garimpeiro saído da classe média urbana do Rio de Janeiro para o âmago da floresta, sua sobrevivência e a descoberta da imensa riqueza daquele planeta a parte do mundo conhecido e a tomada de consciência do envolvimento de grandes corporações, falsas ONGS, falsas “missões religiosas” e massacres ocorrendo sob as sombras das suas árvores, e o desconhecimento da mídia sobre o sofisticado tecido humano e social que a compõem, além do envolvimento do mercado financeiro internacional, colocam em questão as próprias “campanhas, serviços e produtos” que fazem parte da pergunta.

Qual foi sua experiência no garimpo de ouro e diamante na Amazônia e de que forma ela foi retratada no livro?
Foi uma experiência primeiramente extrativa direta, posteriormente na atividade de comercialização,compra e venda, em pequena escala. Foi retratada no livro de modo ficcional, envolvendo o protagonista em negócios muito maiores, na realidade, baseados em fatos ocorridos com terceiras pessoas e em lendas dos mercados da amazônia e internacional. É uma ficção de aventura baseada em fatos reais e lendas desta Amazônia absurda e mágica.

Os problemas retratados pela mídia que envolvem o desmatamento e os impactos ambientais do garimpo na Amazônia têm uma abrangência real ou há outras questões correlatas presentes?
Os problemas retratados pela mídia são meramente epidérmicos e equivocados. O contrabando de minérios atômicos ou insubstituíveis como o Nióbio, jamais foram expostos. Um ano após o término do livro, vi surpreso, o massacre pelos “le marrons”, etnia afro-guianense, de um acampamento de garimpeiros brasileiros na Guiana Francesa, nas primeiras páginas dos jornais. O cotidiano amazônico apresentado como grande novidade! O resto são citações basbaques como a Amazônia sendo o “pulmão do mundo” e outros artifícios para impedir a sétima potência econômica do planeta, que ocupa apenas a metade do seu território, possa na verdade exercer o domínio efetivo do seu território.

Como você observa a relação entre o poder (econômico, social e político) de empresas garimpeiras e a preservação da floresta?
A atividade garimpeira é exercida por pessoas físicas, não empresas. E são degradantes do micro ambiente em que trabalham. No caso de empresas, tomam o nome de mineradoras e, aí sim, são controladas pelas autoridades quanto ao impacto ambiental e viabilidade econômica. Mas sempre lembrando que a desertificação da Amazônia é um mito. Tem árvores porque chove e não chove porque tem árvores. O maior dizimador de milhões de árvores a cada ano é o cupim, e não os madeireiros, que devem ser controlados e certificados, com o remanejo da floresta sendo feito cientificamente. E pagando impostos e obedecendo as leis laborais vigentes. A cada corte científico de uma árvore, dezesseis árvores da mesma espécie, seus filhotes, buscaram a luz, e uma delas triunfará no milagre da fotossíntese.
Cansei de ouvir ícones da preservação amazônica fazerem discursos de que as árvores estavam sustentadas por suas próprias raízes em um terreno arenoso estéril. Derrubada as árvores, a Amazônia se transformaria em um deserto automaticamente. Aí vimos exemplos como a construção da Rodovia Transamazônica, onde as máquinas rasparam todo o húmus fértil da floresta para deixar na argila mais de cinco metros abaixo. Meses depois, nos trechos menos transitados a floresta voltou a invadir a estrada, onde permanecem até hoje árvores de 60 metros de altura imperando soberanas.

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