Embalagens longa vida já foram vilãs do meio ambiente. A empresa Eco-Lógica, do Distrito Federal, apresenta uma alternativa a essa realidade. Ela é especializada na fabricação de telhas e placas feitas com os componentes dessas embalagens, cuja principal fornecedora no país é a Tetrapak. A tecnologia que separa seus componentes – papel, plástico (polietileno) e alumínio – foi desenvolvida pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) da Universidade de São Paulo (USP) e já está sendo aplicada em outros países.

“Quando conheci as telhas Tetrapak, me apaixonei”, declara o empresário (Imagem: Divulgação)

Ela permite à multinacional destinar corretamente seus resíduos. “Sempre gostei de reciclagem. Todos deviam se preocupar e contribuir para a reciclagem e reaproveitamento de tudo que for possível”, afirma Ivanildo Rezende, diretor da Eco-Lógica. A fábrica foi fundada há um ano e meio e está localizada em Vicente Pires, uma das regiões administrativas da capital federal.

No momento, o empreendimento ocupa área de 450 m² e conta com equipe de quatro funcionários. A história da fábrica começou no dia em que Ivanildo conheceu duas telhas Tetrapak e as colocou à venda. Na época, ele comprava e revendia sobras de desmanches de casas e demolições em geral. Ele sabia o quanto as telhas de cerâmica e amianto eram problemáticas, pois se danificavam facilmente, não eram reaproveitadas e iam parar em lixões e aterros.

“Quando conheci as telhas Tetrapak, me apaixonei”, declara o empresário. O empresário viajou para São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais atrás de equipamento que pudessem separar e reciclar as embalagens longa vida. “São necessárias 1,5 mil caixas Tetrapak para se fazer uma telha”, informa. “Elas são excelentes para substituir as telhas de amianto, condenadas e proibidas em vários países”, comenta. Ivanildo conta que inicialmente a Tetrapak não o autorizou a produzir as telhas. “Achei que era só montar a fábrica”, revela.

Depois de algum tempo e trâmites, foi aceito e a multinacional o treinou e disponibilizou consultor, que o orientou na montagem do empreendimento. Atualmente existem 30 fábricas como a Eco-Lógica em todo o país, que juntas produzem cerca de 100 mil telhas/mês. A Tetrapak fornece a matéria-prima a todas elas, que chega de São Paulo (SP) , custando R$ 250/tonelada. O equipamento chamado Hidrapulper separa o alumínio do polietileno. Nem sempre o frete dos caminhões, que transportam as embalagens longa vida até as fábricas, é cobrado, explica o empresário.

Clientela e benefícios

A clientela das telhas Tetrapak não para de crescer no DF. Inicialmente era composta por home centers, lojas e consumidores de baixa renda. Hoje, projetos arquitetônicos elaborados, que não expõem os telhados, dão preferência ao produto. “ As nossas telhas têm durabilidade de 30 anos, segundo a ABNT, e promovem conforto térmico, reduzindo 50% do calor. Sem falar que ela é antirruído, resistente à chuva de granizo e antichama”, ressalta.

Outra vantagem, que ele faz questão de destacar, é o fato das telhas de embalagens longa vida não serem descartadas em aterros. “Nossa telha vira telha de novo. Ela vem da reciclagem e pode voltar a ser reciclada muitas vezes”, enfatiza.

Ivanildo conta que investiu R$ 500 mil, por meio de empréstimos pessoais. Ele diz que não conseguiu crédito nas instituições financeiras públicas.

Tecnologia nacional

A tecnologia responsável pela segregação dos materiais das embalagens longa vida (20% de plástico, 5% de alumínio e 75% de papel) e fabricação de telhas é 100% brasileira e foi desenvolvida pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) da Universidade de São Paulo (USP). Ela é conhecida como tecnologia de plasma. “Esta tecnologia está sendo exportada para outros países”, informa Ivanildo. A Tetrapak está presente em 170 países.

A telha Tetrapak mede 2,20m X 90 cm e tem ondulação como as telhas de amianto. Uma custa R$ 35 e sua colocação é rápida e mais barata do que as convencionais de cerâmica e amianto, pois são leves, exigem menos estrutura e não se quebram, segundo o empresário.

A Eco-Lógica começou vendendo 20 telhas por semana. Hoje a fábrica comercializa 50 telhas/dia. A empresa está dobrando o turno dos funcionários e vai adquirir mais equipamentos para aumentar a produção. A meta é chegar a produzir 100 telhas/dia, nos próximos meses.

Ivanildo faz cursos e recebe consultorias do Sebrae DF. Ele afirma que está muito satisfeito com empreendimento e que aprende muito com os técnicos da instituição. “Nossa meta é crescer no segmento de reciclagem, contribuindo sempre com o meio ambiente”, enfatiza.
(Com informações do Centro Sebrae de Sustentabilidade, por Vanessa Brito)