De origem amazônica, os atributos da seringueira são muitos:  madeira clara, bonita, resistente e muito durável.

Namoradeira que compõe o Projeto Seringueira assinado  por Paulo Alves.

Namoradeira que compõe o Projeto Seringueira assinado por Paulo Alves.

O material utilizado para as peças provém de árvores que completaram o ciclo de produção do látex e da borracha natural e foram cortadas para dar lugar a novas mudas. Ou seja, de um produto florestal estabelecido como não madeireiro, onde o objetivo principal é a extração do látex, nasce uma nova fonte de madeira que, além de linda, é ecologicamente sustentável. Por ser um material que aceita os mais variados acabamentos e inclusive tingimentos, resulta em peças sólidas e lisas, podendo ser utilizado na fabricação de pisos, móveis, brinquedos, laminados e outros produtos. Apresentando-se assim, uma alternativa ao uso de madeiras nativas na fabricação de móveis e nas peças da construção civil. Ainda, a sua galhada pode ser utilizada como biomassa na produção de energia.

PROJETO SERINGUEIRA: O RETORNO AO BRASIL DE UMA DAS ÁRVORES NATIVAS MAIS IMPORTANTES DA NOSSA HISTÓRIA

Seis  dos maiores designers brasileiros apoiam o projeto idealizado pela Madeibor e criam peças de mobiliário inéditos com a seringueira. Paulo Alves, Fernando Jaeger, Zanini de Zanine, André Cruz e dos irmãos Sergio Fahrer e Jack Fahrer  assinam cinco peças que já estão à venda nos estúdios de cada designer.

O designer Paulo Alves, explica que, por se tratar de uma nova opção de madeira para mobiliário, decidiu trabalhar com a madeira bruta. “Explorar o material de várias maneiras para descobrir suas possibilidades”, relata.

André Cruz, por outro lado, optou por trabalhar a mistura de materiais. “Usei o concreto, pois vi similaridade com o processo de extração do látex que é líquido ao ser extraído e depois se torna sólido através de diversos processos. Esse material também é inicialmente uma massa líquida, que pode se transformar no shape que quiser”, conta.

Banco assinado por Zanini de Zanine.

Banco assinado por Zanini de Zanine.

A mistura de dois materiais em um belo resultado por André Cruz.

A mistura de dois materiais em um belo resultado por André Cruz.

 

Banco criação de Fernando Jaeger

Banco criação de Fernando Jaeger

Fernando Jaeger decidiu participar do projeto por acreditar na importância deste resgate. “Por se tratar de uma matéria prima renovável, contribui para evitar a exploração predatória de espécies nativas. Há uma grande carência de madeira na indústria moveleira e ter mais uma, além das (poucas) alternativas, é sempre bem-vindo”, afirma. Fomentadores do uso ecologicamente correto de materiais orgânicos, Sérgio e Jack Fahrer fazem parte de um grupo de designers que na década de 90 trabalhou difundindo o selo do FSC (Forest Stewardship Council) no Brasil, e que certifica toda cadeia de custódia de extração e comercialização da madeira certificada. “O intuito deste projeto é promover o uso da seringueira, estimulando o reaproveitamento desta espécie de árvore e evitando o desmatamento e extinção de outras espécies ameaçadas”, revelam. Na peça que eles apresentam, houve inspiração pela arquitetura do Estádio do Pacaembu, inaugurado em 1940. O encosto tem linhas curvas, fazendo referência ao desenho do estádio, visto de cima”, explicam.

A técnica de madeira curvada, característica dos designers, Sérgio e Jack Fahrer permite ao desenho leveza e organicidade. É uma cadeira de pés torneados, numa influência direta das peças de Joaquim Tenreiro

A técnica de madeira curvada, característica dos designers, Sérgio e Jack Fahrer permite ao desenho leveza e organicidade. É uma cadeira de pés torneados, numa influência direta das peças de Joaquim Tenreiro.

O mercado de mobiliário confeccionado com esta madeira já está estabelecido há mais de vinte anos em países asiáticos como a Tailândia, a Malásia, Indonésia e Vietnã, tradicionais produtores de borracha natural, com imensas áreas dedicadas ao cultivo de seringueira. A Madeibor foi estabelecida no noroeste do estado de São Paulo para viabilizar o aproveitamento desta madeira. A ideia surgiu com as viagens de Fernando Genova para cobrir as feiras do setor da borracha no continente Asiático. Foram seis anos de pesquisa e um investimento de mais de R$ 4 milhões que inclui a compra de uma nova área com um viveiro de mudas de seringueira, estrutura, maquinário e funcionários.

 

 Marcenaria São Paulo

Fonte:  Fabiana Freire e Juliana Victorino.