Arca do Gosto

Por daniela meira às 13h41 de 12/11/2010

Lembra a Arca de Noé? Segundo a religião abraâmica era um grande navio construído por Noé, a mando de Deus, para salvar a si mesmo, sua família e um casal de cada espécie de animais do mundo, antes que viesse o Grande Dilúvio da Bíblia. A história é contada em Gênesis 6-12, assim como no Alcorão e em outras fontes. Pois bem. Estamos vivendo um momento Dilúvio… Se não cuidarmos AGORA do que temos, podemos perdê-las para sempre. Não estou falando em tecnologia ou informática e conhecimento, mas de espécies vegetais, animais e de nós mesmos! Estamos criando um mundo tão tecnológico, que o mundo orgânico, de seres, talvez não seja necessário mais…

A Arca do Gosto, é uma embarcação-refúgio ideal que viaja pelo mundo socorrendo pequenas produções de excelência gastronômica ameaçadas pela agricultura industrial, pela degradação ambiental e pela homologação.
A Arca procura, cataloga e destaca sabores que estão em risco de extinção, mas que ainda estão vivos e apresentam uma concreta potencialidade. A Comissão Científica da Arca avalia embutidos, queijos, cereais, hortaliças e raças locais através precisos critérios de seleção: qualidades gastronômicas especiais, ligação com o território, produção artesanal e com ênfase na sustentabilidade e risco de extinção. Atualmente a Arca do Gosto acolhe mais de 700 produtos de 50 países. Mais informações no site.

Uma excelente iniciativa. Mas fico pensando que é uma pena pensar que voltamos a ter uma atitude igual a que Noé teve que ter há mais de 4 mil anos… É tempo não? E não mudamos nada… Esse dilúvio atual é de descaso, de falta de oxigênio, falta de mares e rios saudáveis…

Se você gostou deste texto, também escrevo para o blog Informações à Mesa, que trata de gastronomia e este maravilhoso mundo do sabor. Se quiser, siga-me.

Minimizando os obstáculos

Por daniela meira às 16h49 de 27/08/2010

Os interessados em aderir ao slow food dizem que esbarram na dificuldade em encontrar alguns produtos orgânicos e isso elevaria os preços no mercado. Alguns alimentos chegam ao consumidor final até pelo correio…

Por exemplo, hoje, a coqueluche do momento é o arroz vermelho. Para que ele esteja presente na mesa de alguns restaurantes privilegiados, 5 chefs paulistanos se juntaram e “importam” o arroz vermelho do vale do Piancó, na Paraíba. Parece absurdo a dificuldade em encontrar o produto no mesmo país mas é um fato real. Esses restaurantes “bancam” a dificuldade em encontrar este tipo de arroz pois querem tê-lo no seu cardápio. Isto é um fato isolado.

Produto chega fresco, saudável e barato para o consumidor. (Foto: Letícia Gonzáles)

Alguns críticos defendem que comer baseado no slow food pode ser mais caro e menos prático para algumas pessoas. Mas eu acho que se, ao invés de procurar arroz vermelho no mercado, dermos valor aos produtos que são da nossa região, produzidos no bairro, podemos sair deste sufoco, baratear os produtos, valorizar os produtores e até incentivar a produção de alimentos menos acessíveis, como o arroz vermelho.

Na África, por exemplo a produção é totalmente slow food. A preparação fica por conta das mulheres, que utilizam produtos da região, sem intermediários. Assim como no sudoeste da Ásia, os produtores, para chegar até o consumidor final transformaram seus barquinhos em verdadeiros mercados flutuantes. Ali vendem produtos frescos, sem conservantes e sem intermediários… Esses dois exemplos encontraram uma solução para aproximar os produtos e os consumidores e assim também barateá-los..

Basta querer um planeta mais saudável que com certeza conseguiremos minimizar custos e trazer o tal do arroz vermelho para muitos outros locais… e fazer do slow food uma maneira mais econômica e saudável para todos.

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