O livro discute a relação entre os sistemas econômicos, as formas de consumo, a escala de produção e o modelo cultural da sociedade.

A primeira edição do livro de Enrique Leff, publicada em 1994, tentou ao máximo explorar e afirmar o chamado “Marxismo Ecológico”. Era um momento em que vários autores tentaram adicionar às ideias marxistas ideais ecológicos, que pareciam ausentes na teoria original.

Na última edição (2009) o autor já foca seu texto em outro momento da sociedade: independente da corrente política vigente, a sociedade estaria num momento produtivista e com poucos cuidados ambientais. As economias, separadas de qualquer ideologia presente, não teriam uma racionalidade ambiental preparada para as necessidades sustentávis do planeta.

O autor pretende mostrar como incorporar a sustentabilidade no sistema produtivo, aliando o bem estar social, a preservação do meio ambiente e a lógica da economia. Além disso, Leff mostra que cada vez mais essas ações dependem também de fatores culturais e participativos da população.

Assim, vários aspectos da nossa sociedade deveriam se adaptar ao novo modelo de racionalidade ambiental. Primeiro, o desenvolvimento de uma eco-tecnologia, em que aparelhos serão baseados em ritmos e ciclos ecológicos de disponibilidade de matéria-prima ou energias. Em segundo lugar, o modelo de produção deve levar em conta uma lógica huminista, em que necessidades primárias de todos deverão ser atendidas antes da produção de qualquer produto que esteja fora dessa área de consumo. Por fim, apoiar uma democracia participativa direta – e não a representativa – garantiria uma gestão igualitária dos bens naturais.

O ponto principal discutido no livro é a participação do mercado na dinâmica social. Assim, o que o autor propõe é uma inversão de valores, em que o mercado não paute o consumo, mas que as necessidades reais de consumo pautem a produção do mercado.