O trabalho escravo parece ser um problema distante de quem vive nas grandes cidades, coisa que só acontece no interior do Brasil, um país imenso e cheio de lugares de difícil acesso. Está mais do que na hora de mudarmos essa visão. Mesmo que o trabalho escravo ocorra longe dos nossos olhos, é preciso reconhecer a responsabilidade de cada um nessa história.

Além dos esforços governamentais e do poder judiciário no combate à escravidão, duas medidas importantes trouxeram a questão para perto do setor privado e dos escritórios das capitais. Uma delas foi a criação, em 2003, da “Lista Suja”, um cadastro de empregadores flagrados explorando pessoas em condição análoga à de escravatura, mantido em conjunto pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR).

Quem entra nessa lista fica impossibilitado de receber financiamentos públicos e de diversos bancos privados, entre eles o Santander (saiba mais em nossa página sobre a análise de risco socioambiental). A segunda medida faz a conexão entre a “Lista Suja” e a cadeira de valor das empresas: integrantes do cadastro não podem fazer negócios com os signatários do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, do qual também fazemos parte. Criado em 2005, o acordo reúne companhias brasileiras e multinacionais que assumiram o compromisso de manter suas cadeias produtivas longe de quem utiliza esse tipo de mão-de-obra.

Sabemos que, quanto mais complexa é a rede de fornecedores de uma empresa, mais difícil é rastrear as condições em que seus insumos foram produzidos. Mas hoje é consenso que o empresário é o responsável legal por todas as relações trabalhistas de seu negócio. É preciso, portanto, analisar os pontos sensíveis da empresa, estabelecer regras contratuais claras a respeito do tema e estabelecer formas de fiscalizar periodicamente o que ocorre nas dependências dos prestadores de serviço. Aqui no Santander, por exemplo, todos os fornecedores classificados nos setores de alto impacto recebem visitas para a checagem das informações dadas durante o processo de homologação.

Isso significa que, antes de tudo, é preciso conhecer esse problema. No site da ONG Repórter Brasil há farto material sobre o tema e o Ministério do Trabalho e do Emprego também lançou, em 2012, um Manual de Combate ao Trabalho em Condições Análogas às de Escravo. Se você é empresário ou funcionário de uma empresa que não aderiu ao Pacto Nacional, clique aqui para saber como se tornar um signatário.

Se você também quer ver o Brasil livre desse problema, informe-se e faça a sua parte!

Gleice Donini de Souza
Analista de Desenvolvimento Sustentável