Sempre que apresentamos nosso processo de inserção da sustentabilidade no dia a dia do Banco, mostramos que há duas formas de fazer isso: por meio de práticas universais, como por exemplo, na relação com os fornecedores, e por meio de práticas relacionadas à natureza do negócio, que no nosso caso estão atreladas à iniciativas que só uma instituição financeira poderia tomar.
Ambas são importantes e mostram que sustentabilidade não é criar algo do zero, mas fazer diferente o que já estamos acostumados a fazer. É um novo jeito de olhar e agir, e para isso precisamos de profissionais protagonistas com coragem e resiliência.
Um exemplo muito bom é o trabalho encabeçado pela Tesouraria, Gestão de Fornecedores e Compliance do Banco que inseriu critérios de sustentabilidade no processo de qualificação das corretoras de valores que operam com a gente. Neste caso, as corretoras que se destacarem por conta da implementação de práticas socioambientais passam a operar mais com o Banco. Vale dizer que esse processo de avaliação é classificatório e não eliminatório, e que colocamos a estrutura do Banco à disposição para auxiliar na implementação da sustentabilidade nos negócios.
Danielle: No início, a preocupação das corretoras era a de não parar de operar com o banco. Hoje, vemos a evolução acontecer mais nas corretoras independentes, onde a estrutura enxuta facilita a implementação de novos processos com rapidez. É uma relação ganha-ganha, em que quanto melhor classificada uma corretora é, mais podemos usá-la em nosso sistema de rodízio, enquanto que para elas, as ações se traduzem em mais negócios realizados em um ambiente mais sustentável. Por fim, vemos significativa mudança na relação entre os operadores do Banco e os representantes das corretoras, já que para explicar o rodízio, ambos precisam entender os motivos pelos quais a corretora irá operar mais ou menos com a mesa do Banco, e desta forma a prática é disseminada.
D: A princípio achava que sim, mas acredito que a resistência se transformou em convicção e, a alta velocidade dos acontecimentos, inerente ao mercado financeiro, ajudou muito na propagação das ideias e o engajamento de todos. Nós (o Banco) somos um bom exemplo disso, praticando a sustentabilidade há alguns anos, e vendo mudanças e evoluções acontecerem rapidamente.
Práticas de governança corporativa podem ser um movimento em direção à sustentabilidade?
D: Sem dúvida. Governança é um dos módulos avaliados para o qual atribuímos o maior peso dentre os quesitos (30%). Questões como ética nos negócios, obrigações trabalhistas/ambientais, relação com a concorrência e transparência também são fundamentais e classificatórias em nosso programa de avaliação.
Que dicas daria para quem busca levar a sustentabilidade para seus fornecedores?
D: Poderia mencionar algumas dicas práticas, mas prefiro transformá-las em apenas uma ideia: a de “compartilhar a preocupação”. É preciso compartilhar a causa, de forma que fique claro que esta é uma questão de responsabilidade de todos. Dividam pontos de atenção, fazendo com que as pessoas ao redor apropriem-se do tema e insiram práticas no dia a dia, multiplicando a rede de atuação e facilitando processos de toda a cadeia.
Patrícia Pasquati
Desenvolvimento Sustentável