Conversa com Jorge Zalzupin, o Jerzy…

Por bernadete brandao às 13h28 de 21/03/2012

Detalhe de desenho da Poltrona Paulistania, em compensado de jacarandá e estofado. Uma das peças mais elegantes do design brasileiro de reconhecimento internacional.or.

 

 

Bem… Confesso, fiquei assim sonhando  em conversar pessoalmente com ele, o Jerzy, e já faz tempo. Desde que desenho móveis nos anos 80, suas peças eram inspiradoras do ponto de vista técnico e estético. Daí vem a Con, com esta tarefa difícil de escrever sobre ele, e a Verônica, sua filha, para intermediar nossa conversa por email. Gratidão meninas, não é sempre que se está assim tão próximo de nossos ídolos, é um privilégio.  Não foi face a face mas nada que não possa ser remediado amanhã, às 19h, no próprio MON… Você também está convidado.!

Jorge ou Jerzy, de origem polonesa, com graduação em arquitetura na Romênia, deixou a Europa, nos anos 50

E assim fui conversando com ele, e os meus botões…  Fiquei interessada em saber o que acontecia no Brasil da época dos 50, 60, quais as suas influências para um desenho ‘tão limpo’, que motivos o fizeram empreender,  e se o público era receptivo à aquela vanguarda, que sem dúvida modificava a visão de uma legião de brasileiros, aprimorando-nos com uma estética requintada!

Aqui estão algumas de suas respostas: “Vinha da Europa com as influências do design scandinavo, tinha feito uma viagem à Dinamarca. Tinha vontade realizar desenhos próprios, poder ‘tocar’ minhas realizações ( no sentido da concretude). No Brasil, nesta época, o produto de design representava 10 ou 15% do mercado, deixando bom espaço para crescer.!

Poltrona Dinamarquesa, um ícone. Tem detalhes de variação de espessuras nas travessas, que trazem beleza e 'bossa' _ impensáveis na marcenaria atual. Tenho uma peça adquirida num brik em 94...

“Percebi que ao finalizar as obras que projetava, eu não tinha nada para colocar dentro. A solução que encontrei foi desenhar um jogo de móveis para cada um de meus cliente. Isto implicava em bolar tudo ‘muito bem’, com exclusividade…até chegar a um esgotamento total de variações existentes na minha imaginação… Decidi criar uma linha de móveis e fabricá-lo em pequenas series.  Porem, para expô-los, eu teria que ter uma loja, para que meus clientes eventuais pudessem ter a oportunidade de conhecer os modelos fabricados.” Fonte: Catálogo 2012.

E assim surgiu a L’Atelier, fruto de sua coragem e decisão, que gerou grandes clássicos do design brasileiro.

Cadeira Jockey _ jacarandá-da-bahia.

Uso exclusivo do jacarandá da bahia, madeira nobre e maravilhosa, hoje, é uma raridade. As questões  da sustentabilidade nem eram discutidas, pois a natureza era abundante na época. Contudo, seus projetos eram ‘racionais e econômicos’, no uso inteligente da madeira e tecidos. ” Acompanhava pessoalmente as primeiras costuras, e aos profissionais para modelagem e prototipia”

Veja só este detalhe de encaixe, evitando o uso de parafusos e permitindo a reposição.

Encaixe da poltrona Jockey

 

 

 

Além de curtir as incrustrações feitas na combinação da madeira de duas cores no braço da dinamarquesa. Este detalhe tem que ser conferido pessoalmente, na exposição que começa amanhã, no Museu Oscar Niemeyer.! O prórpio Jorge estará presente, além de Etel Carmona, da marcenaria Etel, que atualmente produz /reedita suas peças, Sérgio Campos, da Artemobília, colecionador e historiador, Oswlado Melone, designer e colega, além de Giceli Portela e Graça Bueno.

Braço em curva côncava em perfil convexo, para um toque 'macio' no braço do usuário. Note a perfeição do encaixe de braço e perna frontal.

Jorge Zalzupin – Exposição dia 22 de março, no Museu Oscar Niemeyer

Por bernadete brandao às 10h26 de 21/03/2012

Mostra única, imperdível. Um resgate ao Bom Design, aos valores do mobiliário_ um dos principais representantes que originou a inspiração do Design Brasileiro: Jorge Zalzupin.

Quando começou a existir características reconhecíveis no design nacional? Foi a partir de materiais locais, técnicas e tecnologias? Foi através da inexistência e/ou a necessidade de produtos para suprir o crescimento do centros urbanos…? Venha ver de perto as respostas para estas e outras perguntas!

Quando: dia 22 de março

Às 19h: Haverá uma palestra com a presença do próprio Jorge, atualmente com 90 anos, seguido de um debate com Etel Carmona, Giceli Portela, Graça Bueno, Oswaldo Mellone e Sérgio Campos. A mostra é maravilhosa, com peças originais e reedições, além de desenhos, e plantas arquitetônicas de grande repercussão nas décadas de 50 à 70.

Às 20h: Abertura da exposição na Sala 6

Período de exposição: de 23 de março a 24 de junho de 2012

Onde: MON – Museu Oscar Niemeyer

Rua Mal. Hermes, 999, Centro Cívico. Curitiba – Pr

Concepção e curadoria: Consuelo Cornelsen

Mais um resgate ao moderno: que tal re-conhecer John Graz

Por bernadete brandao às 16h24 de 08/12/2010

Poltrona Gafanhoto, 1940. John Grass

Que tal reconhecer um dos principais nomes no mobiliário e arte moderna brasileira?

JOHN GRAZ. Museu Oscar Niemeyer, dia 07 de dez, às 18:00hrs – Palestra com o historiador Sérgio Pizoli e o colecionador Sérgio Campos, além de uma mesa de comentadores locais, entre eles, Graça Rodrigues, Salvador Gnoato, Fábio Fontoura e eu mesma.

Fico aqui pensando o que fez este suíço sensível, desenvolver o carinho por nosso país e escolhê-lo para sua moradia e influência…

Banco e espelho

Arquiteto, designer, pintor e escultor, nesta exposição teremos contato com seus estudos, cadernos de viagem e esboços, por meio do desenhos modernistas do artista. Cenas da arquitetura brasileira, viagens, festas e paisagens, flora e fauna,  o homem e o trabalho. O Brasil de John Graz traz uma diversidade de técnicas e temas relacionados à visão modernista de um país tropical.

Mesa e cadeira

O uso das linhas na construção de cadeiras, poltronas e chaise com leveza e movimento mostram domínio do material, trazendo a seus móveis características tais apenas possíveis pela seleção e qualidade de nossas madeiras, sem dúvida, amadas por ele e expressadas através de seus desenhos. Busquei aqui em alguns sckechtes, demonstrar isto_ de primeira mão! (Gentilmente cedidos por Sérgio Pizoli)

Desenho de cadeira - John Graz - leveza e curvas suaves, com um modo racional de usar a madeira

Descando _ Guache sobre papel_ 1927

Sobre John Graz

Suíço radicado no Brasil desde 1920 traz para o cenário das artes brasileiras as influências renovadoras dos movimentos europeus do século XX. Após sua formação artística na Escola de Belas Artes de Genebra, onde cursou Arquitetura, Decoração e Desenho, viaja para Espanha. Suas obras lá produzidas impressionam Oswald de Andrade que o convida a participar da Semana de Arte Moderna 1922, ao lado de nomes como Anitta Malfatti, Di Cavalcanti e Vicente do Rego Monteiro. É um dos fundadores da Sociedade Pró Arte Moderna (SPAM) e participa do Clube dos Artistas Modernos (CAM). Em 1925, inicia suas atividades como arquiteto e designer de interiores, dedicando-se por quase quarenta anos a este segmento profissional.

Serviço

JOhn Graz no MON. Curadoria de Consuelo Cornelsen, co-curadoria de Sérgio Pizoli e Sérgio Campos.

Quando: De 9 de novembro a 3 de abril de 2011.
Onde: MON – Museu Oscar Niemeyer (Rua Marechal Hermes, 999, Centro Cívico, Curitiba)
Horário de atendimento: De terça-feira a domingo das 10h às 18h.
Ingressos: R$ 4 (inteira) e R$ 2 (estudantes identificados). Compra de ingresso até 17h30.
Informações ao público: (41) 3350-4400

SOBRE A EXPOSIÇÃO JOHN GRAZ – Mostra que apresenta 180 obras do artista plástico John Graz no Museu Oscar Niemeyer em Curitiba. Suíço radicado no Brasil desde 1920, Graz absorveu muito bem a cultura brasileira. Prova disso é sua pintura inspirada na natureza e costumes brasileiros. Além disso, contribuiu para o design e arquitetura moderna no Brasil, sendo um dos pioneiros nesta área.

Filhos da música, novos resgates no Paiol…

Por bernadete brandao às 9h20 de 25/11/2010

Marcel Powell, Marcelo Mariano, Daniel Miguel Vaca, Fábio Pascoal e Glauco Solter, herança e criatividade. Foto por Daniela Santana

Sustentabilidade é resgatar valores culturais.. que possam servir de espelho para a sociedade e auto-reconhecimento como identidade.

Extasiados, não há outra palavra para aqueles que vivenciaram o Teatro Paiol em 30 de outubro de 2010. Filhos da música é um projeto que reúne os filhos dos melhores nomes da música popular brasileira, mostrando sua herança de pais explêndidos aliada a seus próprios talentos desenvolvidos neste ambiente de arte, trabalho e técnica.

Marcel Powell no baixo – filho de Baden Powell, Marcelo Mariano no violão – filho de César Camargo Mariano e Fábio Pascoal na percurssão – filho de Hermetto Pascoal, que aliás nos deu a honra de sua presença com sua esposa Aline Morena no sábado, tipo ‘pai coruja’…

Tocaram ‘velhas músicas’,  clássicos e muito jazz… Sem palavras, não deixam por menos a genialidade dos pais.

Teremos nesta semana, de 26 a 28 de novembro – às 21h, nova edição com novos nomes: BIANCA GISMONTI ( filha do Egberto ) e Claudia Castelo Branco ( duo Gismonti ), BEM GIL ( filho do Gilberto ) e DAVI MORAES ( filho do Moraes Moreira ). Vale a pena conferir…

Serviço: Teatro Paiol, dias 26 a 28 de novembro às 21:00hrs

Pça Guido Viaro s/n – Prado Velho – Curitiba