Geraldo de Barros, empreendedor e sustentável

Por bernadete brandao às 0h19 de 16/08/2010

Auto-retrato, 1949

Artista, designer e fotógrafo, Geraldo de Barros (1923-1998) pode ser chamado, um ‘designer de mão cheia ¨))

Além de ser tido como um dos representantes de renome da vanguarda concretista brasileira, destacando de forma relevante sua participação no grupo Ruptura, ou no grupo dos 15 e em iniciativas individuais, como o ‘Jogo de Dados’, participa de concursos e de diversas bienais de arte, nacional e internacional.

Estudou na Escola de Design de Ulm, HfG_ Hochshüle fur Gestaltung, à convite do próprio Max Bill, diretor da escola na época, tamanho era seu talento. Sem entrar em comentários sobre as suas habilidades nas artes e fotografia_estas inigualável, vale a pena ver, trago aqui a sua importância como designer e empreendedor (pasmem) de móveis, esbanjando racionalidade, inovação e posicionamento político-social.

Design Social e ambiental

Digno de estudo para qualquer jovem designer e economistas sustentáveis da atualidade.

Fica clara a sua postura sustentável, pode ser uma herança de Ulm, mas também um nacionalismo, característico dos poetas, artistas e intelectuais da época. Por exemplo, ajuda a fundar a cooperativa Unilabor, em 1954, onde fica responsável pelos desenhos de inúmeros móveis. Os operários participavam dos lucros das vendas, incentivados à auto-gestão na comunidade de trabalho, um projeto ligado a igreja católica francesa, à intelectualidade e a políticos.  A fábrica era um centro de apoio às famílias dos trabalhadores, desde ajuda pedagógia aos filhos até o crescimento cultural e artístico.

Estante e buffet Unilabor

Em seus projetos que visavam ‘o benefício do público’, era interessado em tornar a arte acessível, e de carona, o design. Os móveis eram modulares e combinados de modo a que o consumidor os montasse a partir de um catálogo na loja.

A crise econômica da Unilabor surgiu com a crise política na ditadura, quando em 1964, a experiência foi tida como ‘tendenciosa’ pelo governo, um Brasil que não cabia mais a utopia modernista dos anos 50.

Mesa de jantar_Unilabor, comunidade de trabalho com inspiração religiosa, humanista e estética

O designer e empreededor

Em 1964 cria a indústria de móveis Hobjeto (Objeto Hoje), junto com Aloisio Bione, uma das pioneiras em normatização de processos produtivos e produtos em série. Destaca-se pelo uso inteligente de materiais, uso racional de madeiras, entre elas, o jacarandá e o freijó, trazendo alto valor agregado com simplicidade. Ganha diversos prêmios com seu design, e em 1972, a fábrica da Hobjeto tem sua expansão máxima, chegando a ter 700 funcionários, tornando-o um designer de sucesso e próspero.

Contudo, a atividade na indústria o tira daquilo que mais se identifica, a arte e a fotografia. Por stress, tem inúmeros derrames, dedicando-se nos últimos 15 anos de sua vida totalmente à arte, sendo sua fotografia reconhecida e prestigiada em Lausanne 1993 na exposição Fotoformas (1950).

Hobjeto, empresa fundada em 1964, uma das primeira a difundir o design e a identidade brasileira

Outras ações empreendedoras:

  • Escritório de Comunicação Visual FormInform em 1957, em sociedade com Alexander Wollner e Rubens Martins
  • Criação e apoio à Galeria Rex, em 1966, juntamente com Wesley Duke Lee e Nelson Leiner

Referências:  Claro, Mauro. Unilabor: Desenho Industrial, Arte Moderna e Autogestão Operária. São Paulo: Editora Senac, 2004.

Se vc quiser ver várias partes do livro: http://books.google.com/books?id=UHLv3zg_r9EC&dq=unilabor+mauro+claro&printsec=frontcover&source=bn&hl=en&ei=OLcESpKDMtCLtgfJ26yRBw&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=4#v=onepage&q&f=false

(na minha opinião, isto é o máximo, ter o acesso a quase todo o livro!!) SUSSE

Quero deixar um agradecimento à Consuelo Cornelsen, que me estimulou nesta pesquisa ao me solicitar escrever um ‘pedacinho’ (mesmo) do catálogo, ‘OS MODERNOS BRASILEIROS’, exposição que acompanhará a Bienal Brasileira de Design, em setembro e outubro de 2010, no Museu Oscar Niemeyer

Eram os ‘modernos’ sustentáveis?

Por bernadete brandao às 0h10 de 09/08/2010

Geraldo de Barros Estou com a grande tarefa e desafio de falar sobre um dos designers que representou a 'os adoráveis modernos !! O meu ambiente e foco é o mesmo... qual seria a perspectiva deles naquela época? Para compreendermos a resposta dentro da visão atual, teríamos que avaliar a visão local, ou seja, como era o mundo de 1950

Sustentabilidade e o tempo, ou melhor, em contexto…

It’s a Small World

Por bernadete brandao às 21h19 de 25/07/2010

A exposição ‘ It’s a Small World’ vem diretamente de Copenhagen, passando por Xangai, para ampliar o evento da Bienal Brasileira de Design em Curitiba.

A exposição desafia o papel tradicional do designer no mundo atual, sendo realizada com foco na prática de ‘desenhar o futuro’ com as temáticas:

1) sustentabilidade e o design sustentável (para debater a questão entre bem estar e sobrevivência futura),

2) escala humana (melhor é pensar pequeno – micro, parece ser mais possível gerenciar o existente do que criar novas estratégias que exigem longos prazos),

3) artesania (como habilidades que passam entre as ferramentas digitais, o pensamento conceitual e empreender técnicas artesanais),

4) práticas não estandartizadas ( a fim de desenvolver nova mentalidade na sociedade já saturada de padrões e processos).

Foram realizados cenários com estes 4 temas principais a fim de criar um diálogo entre as expectativas e objetivos para um novo mundo e o conceito de sustentabilidade, que ganha novos  significados. Para o design, o artesanato e a arquitetura da Dinamarca, a exposição explora ‘como’ um projeto pode tornar a vida mais sustentável.  A exposição será instalada no Cietep-Fiep e tem curadoria do Danish Design Centre, Danish Crafts e Danish Architecture Centre.

Louca pra ver!

Bici ou Bike? Mobilidade nas cidades…

Por bernadete brandao às 0h15 de 20/07/2010

Mobilidade urbana sustentável

E já que o assunto passou por aí, vale comentar este ícone do design sustentável: Yike Bike.

Deixa eu explicar: ícone, porque representa a imagem de algo que já é reconhecido, no caso, a bike. E, propriamente é uma alternativa de solução em mobilidade sustentável que pode substituir um veículo que usa energia fóssil, e portanto, nisto já tem seu mérito. Emissão de carbono zero.

Uma das 50 melhores invenções do ano de 2009, pela Times

Design de Kevin Scott, de 21 anos, o produto foi empreendimento do engenheiro e inventor Grant Ryan, de Christchurch, Nova Zelândia. A bike é desmontável, atinge 25 km/h, pesa cerca de 10 kg e pode ser levada à tiracolo, liberando a necessidade de estacionamento. É feita em fibra de carbono, freios eletrônicos, luzes em led, produz 10 km a cada 40 minutos e exige recarga de bateria extra de 1kw.

Video de demonstração Yikebike, com o próprio designer. 1:54m

O produto inova por completo na forma de uso: dispensa o uso da força humana para pedalar – é elétrica, o guidão é trazido junto ao assento e utiliza o movimento do corpo para direcionar  para a esquerda e a direita_nisto é show! Num momento é tida como um triciclo,  mas utiliza a regulamentação de trânsito para biciletas na Nova Zelândia, e pode ser levado em ônibus, metrô e carro. Características no uso e forma: versátil, portável_ dobra e fecha em 15 segundos, uau!, compacta, leve, confortável, tecnologia moderna… No aspecto sustentável: é econômica, usa energia limpa, emissão de carbono zero.

Imagens de uso

Para maiores detalhes, veja também o vídeo com o próprio empreendedor. Legal mesmo é ver como chega em seu escritório, dobra o produto e liga na tomada quando está em sua mesa de trabalho. Super!

Grant Ryan e aspectos técnicos da Yike Bike

e.t:  esta é a dica do Sérgio Michalovskey, que atualmente é professor na Universidade de Vilha Velha, ES, e com quem tive grande prazer de estar, a convite, dando palestra para alunos interessadíssimos… Brigada Sérgio  `)

Bicicleta como um objeto sustentável

Por bernadete brandao às 20h36 de 12/07/2010

Bike 1

sustentar é

Por bernadete brandao às 20h38 de 01/07/2010




As diferentes perspectivas

Por bernadete brandao às 12h40 de 01/07/2010
Tudo depende do foco do olhar

Foto de J.Gill - Cadeia alimentar_natureza em contraste

Sustentabilidade tem a ver com o número de beneficiados a partir de uma ação.!

Tudo depende da forma como estamos olhando… Ao olharmos a flor, nos esquecemos de que é alimento para a abelha e os pássaros. É cobertura para pequenos insetos, é estrutura para a teia da aranha, e … armadilha para alguns outros desavisados. Ficamos apenas na beleza da sua forma: cor, perfume, desenho…

Há as diferentes perspectivas. O que é bom pra uns pode não ser para outros. Sustentabilidade tem a ver com as múltiplas dimensões de benefícios e com quantos níveis estão sendo beneficiados.

A natureza tem sabedoria, busca proporcionar o máximo para o maior número de seres, bom exemplo pra nós. Você já parou pra observar qual foi o benefício que criou durante o dia de hoje?

: ) {,

Design sustentável, pra quê?

Por bernadete brandao às 0h08 de 07/06/2010

Há muito nos perguntávamos – ‘pra que design’? Fiz faculdade no início de 80 e até hoje, de empresários a usuários, não se sabe responder…

- Digamos: para ‘facilitar as atividades de trabalho e ação, trazer bem estar e qualidade de vida as pessoas, planejar a produção, os materiais’, viabilizar, documentar e organizar a reprodução em série, criar linguagens estéticas e conexão com grupos psicográficos e outras coisinhas…

Será?  Daí alguém se pergunta sobre a necessidade de uma ‘escova de dentes que gira’ ou se ‘brinquedos com imagens do herói preferido deixam as crianças mais espertas ou não’…hummm. Será que não existem outras formas de valorizar o consumidor e tirar menos do planeta? Ou ainda, reconhecer  o que nos oferece generosamente?

Segundo pesquisa realizada em diversos países em 2006 pela FUTERRA _agência de comunicação ligada à coroa inglesa, somente 3% das pessoas discordava sobre a relação direta entre mudanças climáticas e o consumo e 80% dos consumidores estavam preocupados com a questão e não sabem como influenciar para melhorar isto. Destes, cerca de 7% são conscientes, no Brasil representam 5,5% (segundo AKATU), ou seja, consomem de modo coerente com a capacidade do planeta, e são mais envolvidos em questionar e perceber a sua responsabilidade compartilhada neste grande desequilíbrio, se perguntando como e o quê fazer para ajudar?

Segundo Lucy Shea, há três grupos de pessoas, potenciais consumidores, relacionando-os ao tema mudanças climáticas _e esta é uma importante notícia para o mercado e os designers:

  1. 35% são Pioneiros – tem motivação interna e uma ‘busca’ pelo correto. ficam satisfeitos em trabalhar ou aplicar a questão ambiental, e o fazem naturalmente. não se preocupam de serem ‘vistos como malucos’ por vezes.
  2. 44% são Prospectores – ou seja, são exploradores, gostam de novidade, tem motivação externa,  percepção externa por auto-estima, status.
  3. 21% restantes de Colonizadores. Tem valores ligados ao passado, ficam ansiosos com as mudanças do mundo, ‘antigamente era melhor…!’

Quando a questão se trata de ‘reciclar lixo’ por exemplo, o colonizador diz: – se a sociedade fizer, eu faço! Lucy conta que a Rainha da Inglaterra colocou painéis solares no palácio, e este grupo dizia_” se ela usar, eu uso!”. Já os prospectores, adoram os movimentos sociais, seguem a moda _ muitos mal observaram como usar os painéis, mas o colocaram ao lado direito na frente da casa, para ‘seguir’ exatamente o que rainha fez… só que muitas vezes, nem pegava sol (ou seja, tornava-se inútil)… E os pioneiros, estes são influenciados pelos pares, são éticos, fazem isto ‘pelo planeta’.

Assim, agora a pergunta mudou geral: – para que serve isto? É útil? Quanto tempo dura, gasta energia?  Qual é o seu impacto sobre a natureza e as pessoas?

Questões como esta sempre fez parte da reflexão do design, e hoje estão urgentes nos diálogos interdisciplinares com o mercado, o marketing e o uso inteligente da tecnologia e engenharia.

Este é o papel do design sempre, mas atualizado, design sustentável.! Claro que muda no uso dos critérios e modo de comprovar a pontuação sustentável.! Na missão está entre uma das funções, projetar/criar linguagens para ativar’ o potencial positivo de ação do consumidor, fazendo com que ele consuma melhor e beneficie através do seu consumo!

Comunicar/ativar consciência e atitude é um dos grandes desafios! Que tal projetar produtos pensando nos próximos 50 anos?

Susse…!

Curitiba vai respirar design sustentável

Por bernadete brandao às 22h08 de 05/06/2010

Marca da Bienal Brasileira de Design, feita por Miran

Duas boas notícias:

Uma é que, a sustentabilidade será elevada com design e inovação como temas centrais da 3a. Bienal Brasileira de Design 2010, que acontecerá em Curitiba, a partir de 14 de setembro. Além de trazer exemplos e potencializar a reflexão individual e coletiva, a exposição pretende mexer com o público de diversas formas e em vários locais da cidade, entre eles, o Museu Oscar Niemeyer, a Universidade Positivo e a Federação das Indústrias do Estado do Paraná, FIEP. Tem curadoria de Adélia Borges, auxiliada por uma excelente equipe distribuída pelo Brasil a fim de expor o melhor do design brasileiro,  com os princípios de “difundir a cultura da sustentabilidade em seu entendimento amplo: ambientalmente responsável, economicamente inclusivo e socialmente justo”.  Fique ligado: www.bienalbrasileiradedesign.com.br

A segunda, é que John Thackara é o convidado a realizar a palestra magna e workshop de Design e Sustentabilidade do Seminário Design Innovation Labs. Autor dos livros In the bubble: designing in a complex world e Plano B, o Design e as alternativas viáveis em um mundo complexo, adora os desafios deste mundo atual: “ somos criativos o suficiente para imaginar um futuro atraente e tomar as etapas do projeto para realiza-lo”.  Ele afirma ter o design nova missão na sociedade, capaz de recriar modos e costumes utilizando redes de relações na forma de uso do espaço comum e particular.

John é um palestrante visionário e inspirador e trabalha na construção de ações imediatas com resultados de grande alcance, com as bases da sustentabilidade_ energia, alimento para todos, água, etc,  mexendo com designers, empresas e governo de todo o mundo.

Para saber mais sobre os projetos que está envolvido: http://www.doorsofperception.com/

Bem vindos ao blog Susse Design Sustentável

Por bernadete brandao às 18h26 de 04/06/2010

Susse quer dizer legal, tranquilo, leveza, possível, fácil!! Um tanto ao contrário do que estamos acostumados a ver/ler/ouvir, sustentabilidade com design é ligth, traz solução, é bacana, todos podem contribuir numa rede de consumo ‘virtuosa’ e que ajuda o meio ambiente.

Que delícia estrear aqui neste espaço da Atitude Sustentável!

Susse Design Sustentável está aqui pra trazer experiências e aplicações práticas sobre o tema, um design possível e de benefício para todos.