Auto-retrato, 1949

Artista, designer e fotógrafo, Geraldo de Barros (1923-1998) pode ser chamado, um ‘designer de mão cheia ¨))

Além de ser tido como um dos representantes de renome da vanguarda concretista brasileira, destacando de forma relevante sua participação no grupo Ruptura, ou no grupo dos 15 e em iniciativas individuais, como o ‘Jogo de Dados’, participa de concursos e de diversas bienais de arte, nacional e internacional.

Estudou na Escola de Design de Ulm, HfG_ Hochshüle fur Gestaltung, à convite do próprio Max Bill, diretor da escola na época, tamanho era seu talento. Sem entrar em comentários sobre as suas habilidades nas artes e fotografia_estas inigualável, vale a pena ver, trago aqui a sua importância como designer e empreendedor (pasmem) de móveis, esbanjando racionalidade, inovação e posicionamento político-social.

Design Social e ambiental

Digno de estudo para qualquer jovem designer e economistas sustentáveis da atualidade.

Fica clara a sua postura sustentável, pode ser uma herança de Ulm, mas também um nacionalismo, característico dos poetas, artistas e intelectuais da época. Por exemplo, ajuda a fundar a cooperativa Unilabor, em 1954, onde fica responsável pelos desenhos de inúmeros móveis. Os operários participavam dos lucros das vendas, incentivados à auto-gestão na comunidade de trabalho, um projeto ligado a igreja católica francesa, à intelectualidade e a políticos.  A fábrica era um centro de apoio às famílias dos trabalhadores, desde ajuda pedagógia aos filhos até o crescimento cultural e artístico.

Estante e buffet Unilabor

Em seus projetos que visavam ‘o benefício do público’, era interessado em tornar a arte acessível, e de carona, o design. Os móveis eram modulares e combinados de modo a que o consumidor os montasse a partir de um catálogo na loja.

A crise econômica da Unilabor surgiu com a crise política na ditadura, quando em 1964, a experiência foi tida como ‘tendenciosa’ pelo governo, um Brasil que não cabia mais a utopia modernista dos anos 50.

Mesa de jantar_Unilabor, comunidade de trabalho com inspiração religiosa, humanista e estética

O designer e empreededor

Em 1964 cria a indústria de móveis Hobjeto (Objeto Hoje), junto com Aloisio Bione, uma das pioneiras em normatização de processos produtivos e produtos em série. Destaca-se pelo uso inteligente de materiais, uso racional de madeiras, entre elas, o jacarandá e o freijó, trazendo alto valor agregado com simplicidade. Ganha diversos prêmios com seu design, e em 1972, a fábrica da Hobjeto tem sua expansão máxima, chegando a ter 700 funcionários, tornando-o um designer de sucesso e próspero.

Contudo, a atividade na indústria o tira daquilo que mais se identifica, a arte e a fotografia. Por stress, tem inúmeros derrames, dedicando-se nos últimos 15 anos de sua vida totalmente à arte, sendo sua fotografia reconhecida e prestigiada em Lausanne 1993 na exposição Fotoformas (1950).

Hobjeto, empresa fundada em 1964, uma das primeira a difundir o design e a identidade brasileira

Outras ações empreendedoras:

  • Escritório de Comunicação Visual FormInform em 1957, em sociedade com Alexander Wollner e Rubens Martins
  • Criação e apoio à Galeria Rex, em 1966, juntamente com Wesley Duke Lee e Nelson Leiner

Referências:  Claro, Mauro. Unilabor: Desenho Industrial, Arte Moderna e Autogestão Operária. São Paulo: Editora Senac, 2004.

Se vc quiser ver várias partes do livro: http://books.google.com/books?id=UHLv3zg_r9EC&dq=unilabor+mauro+claro&printsec=frontcover&source=bn&hl=en&ei=OLcESpKDMtCLtgfJ26yRBw&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=4#v=onepage&q&f=false

(na minha opinião, isto é o máximo, ter o acesso a quase todo o livro!!) SUSSE

Quero deixar um agradecimento à Consuelo Cornelsen, que me estimulou nesta pesquisa ao me solicitar escrever um ‘pedacinho’ (mesmo) do catálogo, ‘OS MODERNOS BRASILEIROS’, exposição que acompanhará a Bienal Brasileira de Design, em setembro e outubro de 2010, no Museu Oscar Niemeyer