* por Camila Barp

A paisagem que leva ao Pantanal já impressiona logo no começo da viagem. Ao contrário das grandes serras que temos na costa brasileira, são os longos e intermináveis campos que se apresentam na estrada que liga Campo Grande ao Pantanal – no centro do Brasil – que chamam atenção. A impressão que dá é que ela foi feita intencionalmente assim, para que possamos contemplar as belas árvores que compõem o cenário desses campos.

É fato que a primeira imagem associada ao Pantanal remete a animais, mas são as frondosas árvores que primeiramente impressionam. Aroeiras, Buritis, Jatobás e Ipês destacam-se singulares ali, numa área que é basicamente ocupada por longos campos de pastagem. São as sobreviventes de um retrato antigo do Brasil. Muitas delas sobreviveram ao longo do tempo por criarem recursos próprios de sobrevivência para os ciclos de secas e cheias do Pantanal e também das queimadas, comuns na época da seca. Grande parte delas ainda é importante matéria-prima para chás e remédios usados pelos habitantes da região.

Chegando na primeira Fazenda, começa a experiência de estar no Pantanal. Agora sim, além das árvores, são os animais que impressionam, além de várias outras surpresas. O fato do Refúgio da Ilha* ser um local comprometido com a preservação do meio ambiente, ajuda na quantidade e diversidade de animais que pudemos avistar. Na primeira caminhada, ao entardecer, o olhar atento e sensível do guia nos apresentou uma enorme quantidade de aves e cantos num pôr-do-sol multicolor, típico do Pantanal. Destaque para as emas (que dificilmente são avistadas livres), as revoadas de papagaios e araras, e o canto do tachã – também chamado de sentinela do Pantanal – pelo forte som que emite para avisar aos animais que alguém se aproxima. Já adaptadas à rotina pantaneira de acordar e dormir cedo, os dias que se seguiram foram de canoagem – com encontro de uma curiosa família de ariranhas (raras!) – cavalgadas ao pôr do sol ao lado de tamanduás e bandos de aves, café da manhã estilo piquenique na baía ao amanhecer do dia, bandos de macacos-prego, bugios, aguapés gigantes, safári noturno com corujas, dormitório de araras e avistagem de animais de hábitos noturnos. Tudo isso sempre acompanhado de deliciosas refeições, banho de rio de águas cristalinas para refrescar e uma boa conversa no final do dia.

O Pantanal é um convite a ver de perto as belezas e animais que compõe parte de um ciclo vital do Brasil, um lugar único no mundo. Um lugar tão rico e importante que infelizmente ainda sofre com  altos níveis de degradação que o coloca em sério risco de extinção. A atenção e o cuidado nessa Fazenda  fazem desse lugar um local único e um santuário da vida selvagem do Pantanal.

Importante lembrar ainda que o cenário muda completamente a cada temporada. O período da cheia que começa em janeiro e atinge seu ponto máximo em maio/junho se caracteriza pela formação de baías, lagoas e corixos e o período da seca que começa em agosto e vai até dezembro, faz com que os nutrientes trazidos e deixados pelas águas adubem o solo e atraiam os animais em busca de alimentos. Ou seja, há sempre um bom motivo para voltar… o meu é que a onça-pintada resolveu não aparecer dessa vez…

A Gondwana oferece para uma Viagem Fotográfica para o Pantanal de 07 a 10 de Junho (Feriado de Corpus Christi). Mais informações no site : http://www.gondwanabrasil.com.br/?s=roteiros&ss=detalhes&id=56

Saudações viajantes! :)